Sociedade

Ricardo Reis: ‘A ideia não é dar a cana nem o peixe, mas sim ir à pesca com eles’

Ricardo Reis, diretor de Estudos Aplicados da Católica,  é um dos responsáveis pela criação do Promentor, um projeto conjunto desta universidade e da consultora Deloitte.

Como pode ser descrito este projeto Promentor?

Este projeto é algo que se encontra a meio caminho entre a formação e a consultoria, daí que seja necessário o apoio de uma consultora como a Deloitte, para nos auxiliar no desenho destas iniciativas. A ideia é ajudar instituições, como fundações ou pequenas e médias empresas, a resolver problemas decorrentes de gestão e a melhorar o seu desempenho em temas específicos.

O primeiro projeto-piloto a arrancar está relacionado com o desporto. Qual é o objetivo?

Tentar criar condições para que as federações consigam ter meios de subsistência próprios, por forma a melhorar a sua gestão, seja aumentando as receitas, promovendo uma angariação de fundos mais eficaz, eventos ou ajudar em assuntos que estejam relacionados com fiscalidade ou marketing, entre outros. A ideia não é dar a cana nem o peixe, mas sim ir pescar com eles.

Existem outros projetos em vista?

Sim, outros que estão na calha envolvem empresas ligadas à indústria da defesa, da agricultura e do turismo.

Por que escolheram estas áreas?

Há uma ligação entre todas elas. Um dos grandes objetivos deste projeto é também criar uma rede de networking, para que as diferentes empresas e entidades possam colaborar o máximo possível entre elas. Se olhamos para o desporto e o turismo, por exemplo, vemos pontos de contacto: o surf, o golfe e o remo são desportos que podem atrair pessoas para Portugal e, consequentemente, beneficiar o turismo no nosso país. Há aqui muitos pontos de contacto entre as várias áreas. Isto é um puzzle, temos que ir juntando as peças no sentido de providenciar dois pontos que são muito importantes: fornecer capacitação e aconselhamento e dar acesso a outras entidades do seu interesse.

Não existem grandes empresas que precisam de alguns conselhos como os que vão dar na Promentor?

No contexto de grandes empresas portuguesas, sim. Há setores dentro de grandes empresas que precisam. Não é impossível que, por exemplo, a Federação Portuguesa de Futebol não precise de apoio em áreas específicas. Mas em certas áreas, como o marketing, não tem os mesmos problemas que as federações de remo ou de surf, por exemplo.

Não existem iniciativas semelhantes a esta lá fora?

Não, é um caso inédito. Sobretudo em associação com uma consultora como a Deloitte. Acho que esse é o ‘golpe de asa’ desta iniciativa: não dar apenas uma dimensão do ponto de vista académico, mas também do ponto de vista prático. Não conheço outro projeto semelhante, não nos inspirámos em nada do que está a ser feito lá fora.

No caso do desporto, que federações já mostraram interesse em participar no Promentor?

Já falámos com várias federações como a de remo, de triatlo, de surf, de pentatlo moderno. Muitas delas têm um processo de decisão interno, que, em muitos casos, ainda está a decorrer, mas a reação que tivemos foi sempre muito favorável. O objetivo é que haja uma melhoria dos resultados desportivos, da prática de desporto das respetivas federações, como consequência de uma melhor utilização dos recursos existentes.

Como irá decorrer esta iniciativa?

Não vai funcionar como uma sala de aula. A ideia é juntar um grupo reduzido de empresas ou, no caso do desporto, de federações, confrontá-las com problemas específicos e ver se, entre o grupo de membros presentes e os mentores, encontramos soluções. Durante o ano, esperamos ter duas sessões individuais com cada uma das federações, durante as quais estamos uma hora a discutir os assuntos específicos desse organismo. Quanto às reuniões com todos os participantes, não vamos sobrecarregá-los com mais do que um encontro por mês.

Então a iniciativa só irá durar um ano?

O projeto piloto está previsto para um ano, sendo que o objetivo é que ele não tenha fim.

Integrar este projeto tem custos?

Sim, mas não é um custo exorbitante. Deverá rondar os 2500 euros por ano. A nossa lógica de cobrar alguma coisa é impor um compromisso. Nós não queremos que isto seja um encontro de amigos ou um chá das 5, queremos que haja uma responsabilidade de quem participa.

E é feita uma avaliação?

Há um painel de indicadores que nós queremos ir avaliando. Queremos, ao longo do processo, ir vendo que valor estamos a acrescentar [aos organismos]. É uma avaliação que acaba muito mais por ser uma autoavaliação do programa do que propriamente das entidades que se inscrevem e participam.

São prometidos resultados?

Nunca fazemos promessas, isso é como dizer aos nossos alunos que vão todos passar. O que estabelecemos é uma meta: que aquilo que é investido seja largamente compensado por aquilo que oferecemos. Nós queremos acrescentar um valor que seja equivalente a um MBA (Master of Business Administration) na Católica.