Opiniao

Mário Nogueira: o rosto da decadência do PCP (e da sua venda ao PS)

1.Ao fim de mais de quinhentos dias, eis que Mário Nogueira decide sair à rua com meia dúzia de professores filiados no Partido Comunista Português. Urra! Viva o “Super Mário” da Educação, que nos presenciou com mais uma das suas manifestações públicas a clamar pelo espírito de Abril!

2.Sabe o nosso caríssimo(a) leitor(a) que na presente semana, a FENPROF convocou uma manifestação pela defesa da escola pública? Não sabe? Deixe estar – é que nós próprios só soubemos há pouco. Tal como a larguíssima maioria dos portugueses – antigamente, Mário Nogueira fazia greves com gritos estridentes e muita agitação; agora, Mário Nogueira não passa de um organizador de romarias a Lisboa para os professores comunistas conviverem um pouquinho…

Ou melhor, utilizando a expressão da nova referência ideológica máxima de Nogueira, o novo “Álvaro Cunhal do PCP-  também conhecido por António Costa – foi um convívio durante um “poucochinho” de tempo, acompanhados por umas “poucachinhas” bifanas e uma “poucachinhas bejecas”!

Viva o sindicalismo da geringonça! Viva o sindicalismo do Portugal sem muros ideológicos! Outrora, em Portugal, pululavam as greves na educação, na saúde, nos transportes, era um verdadeiro forrobodó de greves e manifestações  – agora, as manifestações converteram-se em romarias populares.

3.Outrora Mário Nogueira clamava contra o Primeiro-Ministro (fosse ele qual fosse!), exigia a demissão do Ministro da Educação, insurgia-se contra o fascismo de PSD e CDS e a alienação despudorada aos interesses do grande capital protagonizada pelo PS – diferentemente, nestes novos tempos do Portugal sem “muros ideológicos” do “educador do Povo” António Costa, Mário Nogueira convoca uma manifestação para dizer que não é bem contra o Governo: as manifestações, as críticas e as possíveis greves dos professores servirão sempre para ajudar o Governo.

4.É verdade: Mário Nogueira, pela primeira vez na sua vida, convocou uma manifestação para elogiar o Governo, prometendo que só em último caso avançará para a greve. Ainda vamos ver António Costa convidar Mário Nogueira para director-geral de qualquer coisa…

Nós sugerimos que se ofereça o lugar de Director-geral das romarias populares em honra do “Querido Líder” António Costa a Mário Nogueira…

5.Por outro lado, note-se que a comunicação social ignorou quase por completo a manifestação de Nogueira e seus aliados comunistas: o que outrora seria um sinal evidente de indignação social, de uma sociedade exausta de tanta austeridade, de uma reivindicação justa por melhores condições de vida e trabalho, um acto de resistência civil contra as prepotências dos governos tiranos” fascitóides” vendidos ao grande capital – desta vez, foi apenas uma festa que mereceu uma nota de rodapé nos principais jornais.

6.Porque neste Portugal geringonçado, sob a batuta do “Primeiro-Ministro Sol” António Costa, não há nenhuma ameaça à paz social.

Este Portugal é o paraíso na terra – e a comunicação social do politicamente correcto não pode ousar desafiar a vontade suprema de Costa (sob pena de ameaças sob a forma de sms’s e outros instrumentos mais sofisticados…).

7.Enfim, para que serviu a manifestação? Para Mário Nogueira mostrar serviço, fingindo que mantém as reivindicações de outros tempos e que continua activo na defesa dos direitos dos professores.

8.No fundo, Mário Nogueira quis “picar o ponto” para enganar os portugueses e os filiados na FENPROF.

Enganar os portugueses, para fingir que o PCP e os seus satélites conservam autonomia política face à agenda do PS e de António Costa.

Enganar os seus filiados, fingindo que não se deixa influenciar ou subjugar-se aos interesses do Governo, mantendo uma luta intensa pela defesa dos direitos dos professores. Pois sim…não há um professor não comunista ou do novo PS fanático que acredite em Mário Nogueira…

9.Perante tudo isto, Mário Nogueira é hoje apenas o rosto da decadência do sindicalismo português, pelo menos do sindicalismo comunista. Os comunistas – como Mário Nogueira apenas confirma – venderam posições de princípio por posições no Estado e em entidades públicas.

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