Sociedade

PSD: Concelhia de Lisboa pede eleições antecipadas

Depois da demissão de Mauro Xavier, o vice-presidente Rodrigo Goncalves ficou na liderança da concelhia de Lisboa do PSD. Mas Gonçalves quer eleições antecipadas para ser legitimado pelo voto.

Com as autárquicas à porta, o mais provável era não haver eleições na concelhia do PSD de Lisboa para substituir Mauro Xavier. Mas a estrutura local está dividida e ao rubro e Rodrigo Goncalves escreveu ao secretário-geral do partido a pedir uma clarificação nas urnas.

"Na sequência da demissão do nosso companheiro Mauro Xavier e por força dos estatutos assumi a Presidência do PSD Lisboa. Contudo, entendo que na política os lugares não se herdam, conquistam-se", lê-se na carta enviada a Matos Rosa.

O pedido surge dois dias depois da demissão de Mauro Xavier e um dia depois de a candidata social-democrata à Câmara de Lisboa, Teresa Leal Coelho, ter vetado os nomes propostos para as listas por Rodrigo Gonçalves.

PSD dividido 

Além, disso é grande a divisão na concelhia, com os núcleos oriental e ocidental contra o núcleo central liderado por Rodrigo Gonçalves.

Havia mesmo quem achasse que a divisão tornaria a estrutura ingovernável ou pudesse levar a uma demissão conjunta para forçar as eleições antecipadas que Rodrigo Gonçalves vem agora pedir.

O pano de fundo para estas divisões é o desconforto com a candidatura de Teresa Leal Coelho, vista como tendo poucas hipóteses de ganhar, e um posicionamento na corrida à sucessão de Passos Coelho na liderança.

Outro elemento a ter em conta são as polémicas em torno de Rodrigo Gonçalves.

Algumas das histórias são antigas, mas a publicação recente de um artigo que as recupera e revela adjudicações que nunca foram investigadas, numa investigação do Observador, causou mal-estar entre os sociais-democratas.

Visto como um dos homens do aparelho, Gonçalves já foi acusado de agredir um autarca social-democrata da capital, de usar indevidamente dinheiros de juntas para atribuir avenças a amigos e militantes do partido e de organizar sindicatos de voto no PSD Lisboa. Foi ilibado de todas as acusações excepto da de agressão, mas a memória destes casos traz desconforto ao PSD.

Unir Lisboa

O que Rodrigo Gonçalves não quer é ser visto como oposição interna a Teresa Leal Coelho. E isso fica claro na carta enviada ao secretário-geral do partido.

"Com esse sentido aceitamos todos os nomes indicados  pela nossa companheira Teresa Leal Coelho para as juntas de freguesia de Lisboa, mesmo quando isso significou afastar pessoas indicadas por nós, como os antigos Secretários de Estado da Cultura José Amaral Lopes e do Desenvolvimento Regional António Taveira de Sousa e do ator João de Carvalho entre outros", nota o dirigente da concelhia, que garante ter como "único objetivo" fortalecer o PSD em Lisboa. 

"Já vivemos outros momentos, em que a vitória do PSD em Lisboa parecia impossível, mas se tornou possível pela ação dos seus militantes. Foi assim em 2001 e em 2005", defende Gonçalves, que pede que as eleições sejam anunciadas até 25 de abril, para que se possam realizar até 26 de maio.

"Só legitimado pelo voto poderei exercer na plenitude as funções da Presidente da Concelhia e ajudar o PSD a ganhar Lisboa", afirma Rodrigo Gonçalves.