Economia

Reembolso IRS. Saiba onde aplicar o dinheiro extra

As Finanças já começaram a proceder ao reembolso do IRS. Os primeiros a receber têm sido os contribuintes que recorreram à nova funcionalidade: o IRS automático. Agora com o dinheiro na mão é altura de fazer contas para saber onde poderá investir esse dinheiro extra de forma a conseguir rentabilizá-lo.  O i fez uma ronda pelos vários produtos de poupança e disponibiliza várias alternativas, uns com menos risco, outros com mais. A partir daí é só escolhe

Depósitos a prazo 

Se a sua simplicidade é uma das vantagens, a taxa de remuneração oferecida torna este produto financeiro menos atrativo devido à queda da taxa da Euribor em todos os prazos. Apesar de ter vindo a perder adeptos nos últimos anos devido às taxas de juro que apresenta, continua a ser um dos instrumentos de poupança preferidos dos portugueses. A maioria dos depósitos está a pagar, em média, uma remuneração próxima de zero e só consegue contrariar esta tendência se procurar as ofertas para novos clientes ou montantes elevados.  

Face aos juros pagos é fácil de compreender que o saldo aplicado em depósitos a prazo pelos portugueses tenha atingido 141,84 mil milhões de euros, em fevereiro, de acordo com os últimos dados divulgados Banco Central Europeu (BCE).  Este valor representa um recuo face aos 142,1 mil milhões registados um mês antes e corresponde a mínimos de 11 meses.

Ainda assim, a segurança deste produto continua a ser a sua grande vantagem. É certo que não existe nenhuma aplicação financeira que esteja 100% isenta de risco, mas também é verdade que há aplicações que comportam um risco maior do que outras. Se analisarmos a escala de risco dos vários produtos financeiros disponíveis para os aforradores e investidores, os depósitos estão entre as aplicações mais seguras e, no pior cenário e se o banco falir, os clientes podem recorrer ao Fundo de Garantia de Depósitos até 100 mil euros por banco e por titular.

Certificados de aforro e CTPM

A perda de atratividade dos depósitos a prazo está a levar cada vez mais os aforradores portugueses a olharem para os produtos de poupança do Estado. Neste universo, os Certificados do Tesouro Poupança Mais (CTPM) são o produto que mais interesse tem despertado. Desde 2013, o valor de dívida pública detida por famílias duplicou e ascende agora a 17 milhões de euros.

No caso do aforro, a taxa de remuneração é calculada com base na média dos valores da Euribor a três meses observados nos dez dias úteis anteriores, acrescida de 1%. Como, atualmente, a Euribor está em valores negativos, a taxa de juro para novas subscrições de certificados de aforro (série D) foi fixada em 0,671% bruta e é uma opção para quem pretende aplicar montantes pequenos. A explicação é simples: aceita investir a partir dos 100 euros. Já os CTPM apresentam uma taxa bruta de 1,25% no primeiro ano, que é crescente nos anos seguintes, para atingir 2,25%, em termos médios, ao fim de cinco anos. Nos dois últimos anos pode acrescer um bónus, consoante a taxa de crescimento do PIB. Apesar de não ser um valor surpreendente, apresenta uma rentabilidade superior quando comparado com as alternativas existentes. Este produto financeiro destina-se essencialmente a quem esteja interessado em manter este investimento durante o prazo máximo (cinco anos).

Obrigações do Tesouro

Até há bem pouco tempo, adquirir Obrigações do Tesouro (OT) era um bom negócio, já que era uma das formas mais rentáveis de aplicar as poupanças de médio ou longo prazo com capital garantido. Mas o certo é que as OT ganharam uma nova vida quando, em 2016, o Estado lançou as Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável (OTRV) - o novo produto de dívida do Estado. Este novo produto inverteu a tendência de desinvestimento que as famílias portuguesas vinham fazendo em títulos de dívida. 

As OTRV têm como remuneração uma taxa  de 1,9% mais a taxa Euribor a 6 meses, que neste momento está negativa em -0,24%. Se a taxa Euribor subir, também subirá a taxa de juro destas obrigações. E o mais provável é que ao longo dos próximos 5 anos, tal venha a acontecer.

Em relação ao risco é semelhante à dos certificados, só há risco de perder capital se o Estado entrar em incumprimento. 

Plano de Poupança Reforma 

Os Planos Poupança Reforma (PPR) têm vindo a perder parte do interesse nos últimos anos, devido à redução de benefícios fiscais. E o interesse de continuar a aplicar em PPR fica circunscrito aos aforradores entre os 40 e os 55 anos. “Quem está a menos de dez anos da aposentação não deve aplicar mais dinheiro em PPR”, refere a DECO. “Se tem um PPR e o desempenho deixa a desejar, transfira-o para outro mais rentável e com menos custos”. A aposta no reforço da reforma poderá ser feita, por exemplo, através de fundos PPR. Estes produtos são disponibilizados pelas gestoras de ativos, sendo possível escolhê-los de acordo com o perfil de risco do aforrador. Estes são segmentados por níveis diferentes de risco, de acordo com o grau de exposição ao investimento em ações.

O Estado apresenta igualmente um produto próprio, mas também não tem tido grande sucesso. Angariou pouco mais de 7600 aderentes em oito anos e apresenta uma rentabilidade de 2,1%.

Ouro

O ouro voltou a chamar a atenção dos investidores devido à turbulência vivida nas bolsas, já que este é encarado com um bom refúgio no caso de uma grave crise mundial e do colapso do sistema financeiro. No entanto, esta vantagem só se aplica ao metal em termos físicos, já que, no que toca ao investimento em produtos financeiros associados ao ouro (fundos, ETF, entre outros), é preciso ter em conta que a cotação desta matéria-prima é extremamente difícil de prever.

Há ainda outras desvantagens e que estão associadas ao seu potencial de valorização e à especulação do mercado. E, ao contrário do que possa pensar, quando decidir vender as barras nada garante que ganhe dinheiro. Por exemplo, quem comprou ouro em 2011 ou 2012 e tentar vender agora, apenas recuperará pouco mais de metade do valor aplicado. Se considerarmos as comissões e as margens praticadas pelos bancos a perda será ainda mais agravada. É muito provável que, mesmo num período de subida da cotação internacional do ouro, não consiga um melhor preço pelas barras dado o diferencial que existe entre o valor da venda e da compra.

Mas independentemente da forma escolhida para investir no metal precioso - desde ter o metal precioso nas mãos, comprando moedas e barras, ou investir em produtos financeiros com exposição ao ouro - o investidor deve ter sempre em consideração o horizonte temporal, que deve ser encarado numa perspetiva de longo prazo, e as perdas potenciais do investimento, já que, nos últimos tempos, o ouro tem vindo a perder o seu brilho.

Fundos de tesouraria

Os fundos de Tesouraria têm vindo a conquistar o interesse dos investidores como forma de diversificarem as suas aplicações, sobretudo numa altura em que os depósitos a prazo apresentam retornos muito baixos. Para quem pretenda escolher um produto de baixo risco para aplicar o valor do reembolso de IRS, esta classe de fundos de investimento pode também ser uma boa alternativa. Estes fundos apostam sobretudo em títulos de grande liquidez (depósitos a prazo, papel comercial) e, como tal, oferece um bom grau de segurança. 

Esta segurança sai ainda mais reforçada face à diversificação do investimento que está associada aos fundos de investimento. 

A DECO garante que estes fundos de tesouraria são indicados para aplicar até um ano, sobretudo se não tiver a certeza de conseguir manter o investimento por mais tempo. Ao contrário da maioria dos depósitos a prazo, estes fundos não penalizam pelo resgate. No entanto, exigem um pré-aviso que varia de um a três dias, consoante o fundo. Outra vantagem é a valorização depender da cotação da unidade de participação (UP). 

A associação lembra ainda que, na maioria dos fundos, pode resgatar o capital em qualquer 

momento sem perder os juros, pois a valorização é calculada diariamente. Estes fundos servem para minimizar o efeito da inflação, evitando que o dinheiro aplicado perca poder de compra. Ainda assim, para o médio prazo (até cinco anos), aconselha a aposta nos certificados de aforro ou, até mesmo, em alguns depósitos com prémio de permanência ou online, uma vez que, apresentam remunerações mais interessantes.

Bolsa

O investimento direto na bolsa ainda assusta muitos portugueses. Pode representar um negócio rentável, mas o risco é sempre mais elevado em relação aos outros produtos de investimento. O investidor pode fazer a compra individualmente, quando escolhe diretamente as ações que deseja, ou através de fundos de ações, ao adquirir unidades de participação de um destes instrumentos. Os especialistas aconselham os interessados a fazer este investimento a prazo (pelo menos a cinco anos) para ultrapassarem as flutuações do mercado. 

Qual a melhor solução para aplicar o seu dinheiro? O melhor é ir investindo de forma periódica e regular. A tendência dos mercados financeiros é para valorizar a longo prazo. O investimento periódico e regular permite ainda expurgar os efeitos da emoção no investimento. Não vale a pena tentarmos adivinhar o melhor momento para investir. 

Não se esqueça, no entanto, de que em momentos de maior incerteza devemos evitar o investimento num determinado ativo. O foco deverá passar por uma estratégia diversificada em que apostamos em vários ativos e, eventualmente, em classes de ativos distintas.

Não se esqueça da regra de “dividir para reinar”: ao escolher títulos de diferentes países e setores, consegue reduzir as flutuações do investimento. 

Tenha em conta o intermediário financeiro: uma opção acertada pode significar uma poupança de muitos euros - isto porque a eleição do melhor intermediário financeiro depende do seu perfil de investidor. 

O ideal é aplicar, pelo menos, 10 mil euros e dividi-los por 10 a 15 empresas de vários setores e países. A verdade é que a compra de títulos não pode ser aleatória e a sua escolha deve ser acompanhada de alguma ciência.