Sociedade

25 de Abril. A volta que isto deu

Nas últimas quatro décadas a população aumentou, mas o país está hoje mais envelhecido e conta com menos um milhão de crianças e adolescentes até aos 14 anos de idade.O casamento pela igreja deixou de ser regra e cada vez há menos gente a dar o nó, enquanto os divórcios fizeram escola. A mortalidade infantil caiu a pique: em 1974, mais de 6500 crianças não sobreviveram ao primeiro aniversário.

Passam 43 anos desde a revolução de Abril e neste período de quase meio século mudou o país e mudaram os portugueses. Para assinalar a data, o i faz um apanhado de alguns dos indicadores que mais mudaram entre 1974 e os dias de hoje. A crise de natalidade que nos últimos anos tem marcado o debate público e faz tremer as contas da Segurança Social é notória: o número de nascimentos caiu praticamente para metade.

As melhorias nas condições de vida e os avanços da medicina – e também na cobertura da população por cuidados médicos – trouxeram aos portugueses mais 12 anos de esperança de vida à nascença mas vivermos mais tempo, ao mesmo tempo que temos menos filhos, também faz com que tenhamos um país cada vez mais envelhecido. O número de pessoas em idade ativa para cada idoso caiu para metade: eram 6,4 para um em 1974 e hoje há apenas três indivíduos entre os 15 e os 64 anos para cada maior de 65. E o país tem menos um milhão de crianças e adolescentes até aos 14 anos de idade, a futura geração de trabalhadores.

Em 1974, a agricultura e indústria eram os setores que mais empregavam e o cenário alterou-se por completo, com o setor terciário dos serviços a dominar o emprego. O número de portugueses empregados no chamado setor primário passou de 1,2 milhões para escassos 318 mil. A descida da mortalidade infantil é uma das conquistas mais elogiadas e os números impressionam: embora o cenário já não fosse tão negro como nos anos 60, em que chegaram a morrer perto de 20 mil bebés antes do primeiro ano de vida, em 1974 mais de 6500 crianças que não festejaram o primeiro aniversário. As mortes em acidentes de viação, que o governo tem a expectativa de continuar a reduzir, baixaram também de forma significativa. Em 1975, perderam a vida na estrada 2676 portugueses, um número que hoje é cinco vezes inferior.

POPULAÇÃO

As últimas estimativas do Instituto Nacional de Estatística sugerem que Portugal deverá voltar a ter menos de 10 milhões de habitantes já em 2030, fruto do envelhecimento demográfico. O número de jovens continuará a diminuir e o número de idosos tende a aumentar. Em 2080, o INE estima que passemos dos atuais 147 idosos por cada 100 jovens – em 1974 eram apenas 35 – para mais de 300.

FAMÍLIA

Os portugueses casam cada vez mais tarde... os que casam. Hoje em Portugal há quase três vezes menos casamentos do que em 1974 e os divórcios dispararam. E por cada cem casais que dão o nó, há 70 que se separam.

SAÚDE

A tuberculose, a maternidade na adolescência e a mortalidade infantil eram alguns dos capítulos negros da saúde em Portugal nos anos 70. O tempo trouxe melhorias mas também novas preocupações. Hoje o cancro, doença cujo risco aumenta também com a idade,
é responsável por um quarto das mortes no país.  Em 2050, estima-se que metade da população venha a sofrer de cancro.

EDUCAÇÃO

Em 1974, o ensino ainda só era obrigatório até à quarta classe. De acordo com dados do INE, só metade dos jovens se matriculava no 3.º ciclo e apenas 8,7% transitava para o ensino secundário. Hoje a escolaridade obrigatória vai até ao 12.º ano. O número de alunos matriculados no secundário aumentou dez vezes e hoje metade dos trabalhadores por conta de outrem têm pelo menos o secundário.

PAÍS

Depois de grandes vagas de emigração no final dos anos 60, o número de portugueses a sair do país para viver no estrangeiro tornou a aumentar com a crise. Por outro lado, Portugal nunca teve tantos turistas e o número de unidades hoteleiras não tem parado de crescer. Nos últimos 40 anos, uma mudança que salta à vista está na ferrovia: foram desactivados mais de mil quilómetros de linhas de caminhos de ferro, aquelas dos muitos apeadeiros que antes do 25 de Abril se aprendiam nos bancos da escola.