Internacional

Brasil. Duas violações colectivas num fim-de-semana provocam alarme

Está a circular nas redes sociais outro vídeo que mostra o momento em que uma adolescente de 12 anos é violada por um grupo de cinco rapazes

Há outro vídeo a circular nas redes sociais em que se vê o momento em que uma adolescente de 12 anos foi violada por um grupo de rapazes. Eles são cinco e mostraram-se absolutamente indiferentes aos gritos de desespero dela. Passou-se na Baixada Fluminense, nos subúrbios do Rio de Janeiro, segundo noticiou o "Estado de Sao Paulo".

A vítima não pode até ao momento prestar declarações à polícia. Não consegue, não tendo recuperado ainda do estado de choque. Entretanto, as imagens captadas por mais do que um telemóvel ainda circulam, e aqueles que as captaram começam agora a ver a perspectiva dos próximos 15 anos das suas vidas detrás das grades de uma penitenciária.

Mas além daqueles que a violaram e dos outros que assistiram e filmaram sem fazer nada, o tormento desta adolescente só começou, porque nas redes sociais a bola de neve do assédio continua a crescer à medida que se multiplicam os testemunhos de pessoas que dizem conhecê-la e avançam as diferentes versões do "ela estava a pedi-las". "Não é a primeira vez que ela faz isto" diz num outro vídeo divulgado n YouTube uma outra adolescente que garante que a conhecia. "Agora os rapazes é que vão pagar... Ela devia era contar à mãe e à polícia que ela estava ali porque quis", disse outra, passando ao lado do facto de se tratar de uma menina de apenas 12 anos.

A investigação do crime ficou sob a alçada da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV), que tenta agora identificar os suspeitos a partir do vídeo divulgado, e que tem cerca de um minuto de duração. Nele, um dos atacantes reage aos gritos da adolescente dizendo: "Cala a boca, se alguém ouve a tua voz vai saber quem tu és". 

A divulgação do vídeo de outra violação colectivou refrescou a memória do caso que há um ano comoveu o país e levou a grandes manifestações. Foi também no Rio Janeiro, e foi sendo partilhado através do WhatsApp, com as imagens a mostrarem uma jovem de 16 anos inconsciente que era vítima dos abusos sexuais de vários jovens. Sete foram condenados. A jovem viu-se obrigado a abandonar a cidade, e à semelhança do que está a acontecer hoje com a adolescente de 12 anos, também foi alvo de uma grotesca campanha machista nas redes sociais, sendo acusada de ter provocado a situação de que foi vítima devido às companhias que mantinha e ao seus estilo de vida.

No mesmo fim-de- semana, a polícia de Artur Nogueira, localidad do estado de São Paulo, registou outra violacão colectiva de uma jovem de 17 anos, informa G1. Ela consegui escapar da festa na qual foi agredida por três rapazes, que a emboscaram num quarto, com um deles a colocar-lhe um capuz na cabeça enquanto os outros a violavam.

Na passada quarta-feira, três adolescentes foram detidos no estado de Piauí (nordeste), depois de violarem uma jovem de 15 que estava grávida e por terem assassinado o namorado desta. Estes casos vieram provocar alarme numa altura em que um estudo internacional da National Crime Victimization Survey indica que o número de casos de violação que são reportados às autoridades não passa de uma amostra da realidade. Segundo este, os 45.560 casos de violações registados pela administracão pública representa apenas 35% do total das violações que ocorrem no país. Outro estudo, do Instituto de Pesquisa Económica Aplicada, vai mais longe, e admite que no Brasil apenas 10% das vítimas acabam por denunciar as agressões sexuais de que são alvo, uma vez que está instalada uma cultura não apenas de intimidação como de impunidade para os agressores. Reflectindo estes indicadores, os casos registados apontam para números reais entre os 130 e os 450 mil casos de violação no gigante sul-americano, de acordo com a revista "Carta Capital".