Quanto custa morrer em Itália?

Era a primeira aula do MBA, e o Prof. Daniel Bessa explicava: “Quanto vale uma vida humana? Há quem defenda que a vida humana tem um valor sem custo, que é de um valor ilimitado. Mas não é esse o critério seguido nos hospitais.”

Li hoje no Diário de Notícias online uma história, depois passada nas televisões, de um barco com 500 refugiados, que pedia auxílio às autoridades italianas, pois estava a afundar-se. A marinha italiana tinha um barco a 10 milhas (18 Kms), mas negou o auxílio ao barco de refugiados com o pretexto que estes estavam mais próximos da costa de Malta, concretamente a 118 milhas (219 Kms).

As autoridades italianas só intervieram quando lhes chegaram imagens do barco de refugiados a virar-se. Mesmo assim, morreram afogadas 268 pessoas, entre as quais cerca de 60 crianças. Uma intervenção mais pronta teria possivelmente salvo essas mortes.

A quem atribuir o custo destas mortes? A Itália, onde possivelmente o custo seria elevado, por se tratar de um país desenvolvido, ou a Malta (nunca lá fui), onde, mesmo que uma morte seja mais barata, poderia pesar no orçamento estatal da saúde por se tratarem de mais de 250 óbitos só de uma vez?

E a quem poderiam pedir uma indemnização os sobreviventes do naufrágio, por estarem um dia inteiro sem auxílio dos italianos, antes de ser evidente que o barco estava a naufragar? A que responsáveis idiotas, que sabem que a vida humana não ter um valor infinito, mas que são desprovidos dos mais elementares valores morais, pedir uma indemnização? Uma coisa é certa: para 60 crianças, que tinham uma vida de trabalho à sua frente, o valor dos respetivos capitais humanos é elevado. Isto se quisermos só medir massa monetária. O valor das vidas humanas não se reduz a isso.