Politica

Costa tenta esvaziar a polémica do Banco de Portugal

António Costa tentou hoje explicar a diferença entre reservas e provisões do Banco de Portugal. E teve a ajuda de Catarina Martins, que explicou "devagar para todos entendermos".

Pedro Passos Coelho foi o primeiro a dizer que o relatório do grupo de trabalho sobre a dívida pública estava a abrir caminho para o Governo "deitar a mão às reservas do Banco de Portugal". O tema foi hoje recuperado no debate quinzenal por Luís Montenegro, que quis esclarecer o assunto depois de numa primeira reação o primeiro-ministro ter dito não entender do que se estava a falar.

Com ironia, Montenegro perguntou a Costa se já tinha falado com "os seus gurus Francisco Louçã e João Galamba e já tenha percebido o que isto é" para perguntar: "Vão deitar as mão às reservas do Banco de Portugal?".

António Costa diz que a pergunta "confunde provisões de uma empresa com reservas do Banco de Portugal" e confessou mesmo ficar "perplexo" com tal confusão vinda de um jurista.

"Fico ainda mais perplexo que não tenha dado conta que este ano o Banco de Portugal já alterou o seu critério de provisões", lançou Costa, lembrando que este ano "vamos receber mais do que aquilo que tínhamos previsto no Orçamento, porque os dividendos são melhores".

Catarina Martins deu uma ajuda, explicando "devagar" a diferença entre o que são as reservas "em que ninguém quer mexer" e as provisões constituídas para fazer face a riscos.

Costa agradeceu a ajuda, atacando o PSD por aproveitar a imagem das "reservas de ouro" que fazem parte do imaginário dos portugueses para as confundir com as regras que estabelecem as provisões que devem ser constituídas para cobrir eventuais riscos  e que devem ter em conta critérios de definição de risco.

De resto, quanto à dívida Costa realçou "a serenidade e tranquilidade que os mercados estão a ter" nas emissões, numa alusão à emissão de títulos de dívida a cinco e dez anos hoje realizada com níveis de procura a superar em muito a oferta e com uma ligeira melhoria nos juros conseguidos, apesar de ainda acima dos 3%.