Edward Snowden: “Há uma maior consciencialização dos cidadãos para encarar a privacidade mais seriamente”

“À medida que o tempo passa, estou cada vez mais convencido que o verdadeiro impacto e o valor de quaisquer revelações não terão origem num governo”

É perseguido pela justiça norte-americana por, em 2013, ter revelado segredos da espionagem da NSA, a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos. Edward Snowden (33 anos) é acusado, pela justiça americana, por ser responsável por uma das maiores fugas de informação do mundo. Na próxima terça-feira, 30 de maio, participa (por videoconferência) nas Conferências do Estoril e vai falar sobre a liberdade de expressão.

“Qualquer uma das centenas de ações oficiais dadas em resposta à revelação de injustiças cometidas pelo Governo [EUA] provavelmente justificariam as minhas ações”, refere Edward Snowden em entrevista à revista das Conferências do Estoril, acrescentando que uma comissão nomeada pelo Presidente Obama concluiu que a recolha de informação da NSA sobre as chamadas telefónicas de todos os americanos “nunca impediu um único ataque terrorista”, nem fez uma “diferença concreta” numa investigação de terrorismo em mais de 10 anos.

O analista de sistemas e ex-administrador de sistemas da CIA acredita que “à medida que o tempo passa, estou cada vez mais convencido que o verdadeiro impacto e o valor de quaisquer revelações não terão origem num governo”. Edward Snowden explica que “em vez disso, surgirão das forças que moldam os governos. Estou a referir-me principalmente à opinião pública”.

Sobre o impacto das suas revelações em 2013, Snowden refere que “já testemunhámos um aumento do apoio à reforma sobre a vigilância, bem como uma consciencialização por parte dos cidadãos para a necessidade de encararem a privacidade mais seriamente”. E continua dizendo que “mais concreto e irreversível é o impacto na ciência e na engenharia. A maioria das comunicações na Internet através dos navegadores modernos é encriptada –  estão preparadas para as proteger pelo menos das formas mais simples de vigilância em massa reveladas em 2013”. Edward Snowden acrescenta que “sem a rápida proliferação de tecnologias defensivas, como a encriptação, pessoas de Lisboa a Washington seriam completamente incapazes de se proteger contra os ataques informáticos”.

Atualmente, Snowden está acusado de violação ao ‘Espionage Act of 1917’, uma lei criada há um século que considera culpados aqueles que, “…com intenção ou razão para acreditar que a informação obtida será utilizada para infligir dano aos Estados Unidos, ou utilizada como vantagem por qualquer nação estrangeira.