Tecnologia

Maioria dos jovens portugueses têm telemóvel desde os 10 anos

Ao longo de cinco anos foram inquiridos mais de 8500 jovens de 130 escolas secundárias do país

Estão sempre agarrados aos telemóveis, mas agora há mais informação sobre esta sede de comunicação dos mais novos. Inquéritos feitos ao longo de cinco anos por investigadores do projeto FAQtos, desenvolvido no INOV – INESC Inovação/Instituto Superior Técnico, revelam que a maioria dos jovens começam a ter telemóvel aos dez anos de idade e a partir dos 13/14 anos os dispositivos são praticamente regra entre os adolescentes. Ao todo, a equipa aplicou 8.595 inquéritos em 130 estabelecimentos de ensino secundário em todo o país entre 2010 e 2016. São poucos os jovens dos 15 aos 18 anos sem telemóvel – apenas 0,4%. Em contrapartida, são muito mais os que não têm apenas um mas dois ou mais equipamentos – 15% dos adolescentes portugueses está nesta situação.

Os resultados foram divulgados ontem, a um mês da cerimónia final do Prémio FAQtos 2017, competição que visa sensibilizar os alunos do secundário para a formação de uma “consciência coletiva em matéria de campos eletromagnéticos oriundos de fontes de telecomunicações (banda das radiofrequências), e do seu impacto na sociedade, bem como potenciais efeitos na saúde e ambiente”, informa o site do projeto faqtos.pt.

Os dados agora conhecidos revelam que a utilização da internet no telemóvel tem vindo a aumentar de forma significativa. No ano letivo de 2010/2011, apenas 35% tinham este tipo de uso e agora mais de 89% usam os dispositivos para navegar online. Quase metade dos jovens (48%) indica mesmo que a internet é o principal serviço que usam no telemóvel, sobretudo para aceder as redes sociais. Além da net, é a comunicação por voz ou escrita que alimenta o fenómeno. Os jovens reportam em média o envio de 75 sms por dia e 30 minutos diários de chamadas, sendo que as mensagens escritas têm estado, ainda assim, a perder algum espaço para as caixas de conversação online ou aplicações como WhatsApp ou o Viber, assinalam os investigadores. Nos primeiros três anos do projeto chegou a registar-se uma média de 100 sms por dia.

Outra constatação dos investigadores é que as raparigas fazem menos chamadas mas 20% mais longas, enquanto que os rapazes telefonam mais vezes por períodos mais curtos e enviam mais mensagens escritas.

O gasto médio mensal dos jovens com os telemóveis é de 9,81 euros, mas a equipa assinala que se nota um ligeiro aumento nos carregamentos acima dos 15 euros para acompanhar as necessidades de pacotes de dados.

Já no que diz respeito à questão das radiações, que lá fora já levou por exemplo França a proibir wifi nas creches, os jovens não parecem estar muito preocupados. Apenas 12% dos jovens adota medidas de proteção quando usa o telemóvel e 28% indicam não saber que medidas tomar. Entre os que têm algum cuidado, predominam atitudes como afastar o telemóvel do corpo, usar auricular e desligar o telemóvel ou wifi à noite e quando não é necessário.