Desporto

Por essas estradas fora, um Verão em forma de bicicleta

Depois do Giro do Centenário, o calendário velocipédico internacional entra na sua fase mais brilhante com a Volta a França ao virar da esquina


“Eu gosto é do Verão”, trautearão aqueles que são apaixonados pelas provas velocipédicas. Pois. O Verão é a época primordial do ciclismo, como sabemos, e este ano de 2017 não é, naturalmente, excepção.

Pode dizer-se que a grande abertura já foi feita, em Maio, com a 100.ª edição da Volta a Itália. Um Giro com muito de diferente. O objetivo era fazer da competição um verdadeiro concorrente ao brilho e ao glamour da Volta a França. Patamar difícil de atingir, como se calcula, tal o prestígio do Tour em termos universais. De 5 a 28 de Maio, o pelotão percorreu a península de fio a pavio, com a novidade de as etapas terem sido programadas de forma a passarem pelas terras de nascimento de históricos ciclistas italianos, como Copi e Bartalli, por exemplo. 3.609 quilómetros percorridos com a vitória holandesa de Tom Dumoulin, sendo o colombiano Nairo Quintana o segundo e Vincenzo Nibali, o italiano que concentrava as esperanças colectivas da vitória pátria o terceiro. Os espanhóis da Movistar venceram por equipas.

À prova rosa, seguiu-se outro clássico, este geralmente anunciador do início da época, o Criterium Dauphiné Libéré, que esteve na estrada de 4 a 11 de Junho. Disputou-se, como sempre na região francesa do Dauphiné, na província do Rhône-Alpes, e teve um vencedor dinamarquês, Jakob Fuglsang, que entrou para a lista dourada onde têm lugar de destaque homens como Luis Ocaña, Charly Mottet e Bernard Hinault.

Suíça.

Neste momento, decorre a Volta à Suíça, prova na qual o português Rui Costa faz figura de favorito, até porque já saiu dela como vencedor absoluto. Hoje, quarta-feira, disputa-se a quinta etapa, entre Bex e Cevio. O final está marcado para o próximo domingo, em Schaffhausen.

A Volta à Suíça tem a tradição de chamar os grandes ciclistas do panorama internacional e servir como uma espécie de aquecimento para o Tour. O comando está, de momento, entregue ao australiano Michael Matthews, seguido pelo seu companheiro de equipa na Sunweb, Tom Dumoulin, esse mesmo, recente vencedor do Giro do Centenário. Na altura em que esta espécie de roteiro foi escrito, Rui Costa era 18º da Geral a 10 segundos de Matthews e o outro português em liça, Nelson Oliveira, ocupava o 79º posto a 11 minutos e 36 segundos do australiano.

França.

A Volta a França marca, indelevelmente, todo o calendário internacional. Por muito que muitos tentem imitá-la ou fazer-lhe sombra, é impossível fugir ao seu fascínio.

Este ano, tem o seu início marcado para o dia 1 de Julho, com a última etapa, finalizada na glória dos Campos Elísios, a 23.

104ª edição. Tornou-se um hábito, relativamente recente, que o Tour contemple a passagem por outros países. Desta vez, o pelotão arrancará de Dusseldorf, na Alemanha, na primeira etapa, de apenas 14 quilómetros. Há passagens agendadas pela Bélgica e pela Holanda, e a novidade de o Prémio da Montanha ser duro como nunca, com o Jura, os Alpes, o Maciço Central, os Vosgues e os Pirenéus incluídos, isto é, as cinco zonas montanhosas por excelência do Hexágono, algo que já não sucedia há 25 anos.

3.540 quilómetros em 21 etapas. Apenas dois dias de descanso. Um total de 23 subidas de montanha. A Volta a França nunca deixa os seus créditos caírem na vulgaridade.

Espanha.

É a terceira competição velocipédica europeia em termos de popularidade. Este ano irá de 19 de Agosto a 10 de Setembro. Para não fugir ao tal charme do Tour, começa em França, em Nîmes. Um contra-relógio de 13,8 quilómetros. Muitas parecenças? Sim. Indesmentivelmente. Final em Madrid, como não pode deixar de ser para a grande prova que costuma fechar o calendário de Verão. Não esquecendo que o ciclismo continua depois, pelo Outono e Inverno, noutros pontos do globo, como o Canadá (Grand Prix Québec e Grand Prix Montréal), Austrália (Down Under Tour) e Emirados Árabes Unidos (Volta ao Dubai).

Portugal.

Entre nós, a Volta a Portugal cumprirá a sua 79ª edição. Início em Lisboa e final em Viseu. Entre 4 e 15 de Agosto. Indo para a estrada pela primeira vez em 1927, por iniciativa dos jornais Diário de Notícias e Os Sports, a Volta é, por exemplo, mais antiga do que a Vuelta (1936). Primeiro vencedor: Augusto de Carvalho. O investimento financeiro foi de tal ordem e tão sem retorno que só voltaríamos a ver os ciclistas nas estradas portuguesas quatro anos mais tarde.

Este ano, o ponto alto da Volta a Portugal será a sua terceira etapa, ligando Figueira de Castelo Rodrigo a Bragança num percurso extremamente sinuoso, com uma complicada travessia da Serra de Bornes. Vila Nova de Foz Coa e Torre de Moncorvo também terão instalados pontos de prémios de montanha.

 

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