Economia

Eurogrupo. Nova tentativa para desbloquear impasse grego

Exame ao terceiro resgate grego em cima da mesa dos ministros das Finanças dos países do euro. Questão da dívida divide Europa e FMI.

Depois de um falhanço no final de maio, será hoje feita uma nova tentativa no Eurogrupo para terminar o impasse no fecho do segundo exame ao terceiro resgate e permitir que a Grécia receba a tranche dos fundos europeus, evitando o incumprimento em julho.

Ontem, o primeiro-ministro grego afirmou estar otimista sobre a possibilidade de um acordo que permita desbloquear os fundos.

“Temos expectativas altas em relação à reunião dos ministros das Finanças da zona euro porque implementámos todos os nossos compromissos e vamos continuar nesta direção do caminho europeu”, escreveu Alexis Tsipras no diário alemão “Die Welt”. “Respeitamos as regras da nossa casa comum europeia e esperamos que os nossos credores tratem a Grécia com respeito”, acrescentou.

A expectativa é que os ministros das Finanças da Zona Euro e o Fundo Monetário Internacional (FMI) consigam um acordo sobre os fundos, deixando a questão da dívida para outra ocasião. O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, citado pela agência Reuters, diz que espera da reunião “um acordo completo sobre a segunda avaliação” do terceiro resgate. Esta inclui o desbloqueio de novos empréstimos.

Crescimento

Tsipras afirma que a resposta ao insustentável peso da dívida pública grega é um “crescimento sustentável e socialmente justo” acrescentando que, “para que isso seja possível, é necessária uma reestruturação da dívida para que a economia da Grécia consiga respirar e reconquistar a confiança dos mercados”.

O primeiro-ministro grego considera que medidas de médio prazo para lidar com a dívida grega não seriam apenas uma recompensa pelo esforço de reformas mas também uma decisão sensata para promover o crescimento da Grécia e assegurar que é capaz de pagar as suas dívidas no futuro.

“A questão não é sobre dar dinheiro à Grécia, é antes sobre não dar dinheiro”, afirmou o chefe do governo helénico, salientando que o futuro do país passa por “um programa de crescimento ambicioso, cuja base não seja dívida nova, mas iniciativas objetivas que promovam o investimento”.

À partida para a reunião dos ministros das Finanças dos países da moeda única, no Luxemburgo, está já firmado um acordo sobre a trajetória orçamental da Grécia até 2022.

Os europeus querem que a Grécia consiga um excedente orçamental primário (sem os encargos com a dívida) de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2018 – ano em que termina o programa de resgate – e anos seguintes.

A Grécia precisa de receber uma nova parcela do empréstimo a tempo de reembolsar em julho 7,5 mil milhões de euros a credores e evitar um incumprimento. Este impasse já estará desbloqueado e a questão que divide o Fundo Monetário Internacional (FMI) e os países europeus está na dívida.

A “Grécia adotou um conjunto de reformas sólidas (...) mas ainda precisamos de ter mais precisão sobre o alívio da dívida”, resumiu Gerry Rice. O porta-voz do FMI acrescentou que as divergências são sobre objetivos orçamentais impostos pela Zona Euro a Atenas.

O governo grego cumpriu a sua parte ao aprovar os pacotes de medidas de consolidação orçamental para 2019 a 2021 que foram exigidos pelo Eurogrupo.

Estes envolviam uma poupança líquida de 1% do PIB no sistema de pensões e reformas e de alteração do sistema de IRS. Os gregos concretizaram 115 das 140 medidas pendentes.

O ministro alemão das Finanças reconheceu a concretização das medidas, mas deixou claro que uma discussão sobre o alívio da dívida terá de ser noutra altura e que exigirá o aval prévio do parlamento alemão. “Não estamos a falar de um novo programa, mas da implementação do programa acordado em 2015”, disse Wolfgang Schäuble, frisando que nenhuma “medida adicional” seria considerada antes do fim do atual programa: 2018.

Sinal

No final da semana passada o FMI sinalizou estar disposto a um compromisso sobre a Grécia na reunião de hoje e assim terminar o impasse no fecho do segundo exame ao terceiro resgate.

A diretora do Fundo, Christine Lagarde, admitiu ao jornal financeiro alemão “Handelsblatt” a participação plena no terceiro resgate, aprovando o seu envolvimento financeiro, como exige a Alemanha, mas só desembolsará as tranches quando os credores oficiais europeus articularem com clareza as medidas de alívio da dívida helénica.

A posição que tem sido defendida pelo FMI é que a dívida helénica é insustentável e necessita de um novo plano de “alívio”, com medidas de médio e longo prazo claras por parte dos credores oficiais europeus.