Internacional

Fogo pelo mundo. Os mais devastadores e mortíferos incêndios da História moderna

As chamas de Pedrógão Grande entrarão seguramente na triste galeria dos incêndios mais impiedosos das últimas décadas, a nível mundial. Passamos em revista algumas dessas tragédias, originadas nas mais diversas causas. Da China aos EUA, da Austrália à Grécia, passando por França ou Indonésia. Por ali também o fogo passou e deixou um rasto de morte e desolação

Outubro 1918

Cloquet, EUA: Cloquet e Moose Lake - duas localidades do condado de Carlton, situadas no estado norte-americano do Minnesota - testemunharam aquele que é considerado o mais mortífero incêndio dos últimos dois séculos. As faíscas desencadeadas pela passagem de um comboio na região do lago Sturgeon resultaram num pequeno incêndio ao longo dos caminhos-de-ferro que, aliado aos fortes ventos que se faziam sentir, rapidamente transformou o cenário num verdadeiro inferno. Arderam mais de 388 mil hectares e ficaram destruídas 52 mil habitações e 38 localidades. O número oficial de vidas perdidas foi de 453, mas há quem aponte para mais do dobro.

Agosto 1949

Landes, França: Entre 19 e 25 de agosto de 1949, a floresta de Landes, situada na região sudoeste de França, a sul de Bordéus, foi palco do incêndio mais mortífero das últimas décadas, em solo europeu. Oitenta e duas pessoas morreram e mais de 50 mil hectares de pinhal arderam durante seis dias, num incêndio que terá tido origem em Lagune du Merle. Cestas, Mios, Saucatas e Marcheprime foram algumas das localidades da região destruídas pelo fogo.

Maio 1987

Daxinganling, China: O pior incêndio da história do gigante chinês teve lugar na floresta da região montanhosa de Daxinganling, situada na província de Heilongjiang. Entre os dias 6 de maio e 2 de junho de 1987, cerca de 10 mil bombeiros combateram o fogo numa zona da China de muito difícil acesso. Uns impressionantes 2,4 milhões de hectares foram destruídos e mais de 200 pessoas perderam a vida. O número de desalojados situou-se perto dos 50 mil.

Setembro 1997

Indonésia: Embora haja registo de incêndios até 1998, o ano anterior foi o mais devastador na Indonésia neste capítulo. A chegada do El Niño – um fenómeno meteorológico que resulta no aumento da temperatura nas correntes marítimas dos dois lados do oceano Pacífico – resultou em significativas alterações climatéricas no país e aumentou exponencialmente o risco de incêndio nas ilhas de Sumatra e Kalimantan. A vaga de fogos começou em meados de 1997 e atingiu o seu auge em setembro. Terá tido origem numa técnica de agricultura tradicional que envolve a queima de terrenos de cultivo. O descontrolo de muitos destes incêndios fez mais de 200 mortos e criou uma monstruosa nuvem de fumo que se arrastou para a Malásia e Singapura.

Agosto 2007

Grécia: No verão de 2007, a Grécia foi atingida pela maior vaga de incêndios de que há memória no país. Mais de 670 mil hectares de floresta e terrenos de cultivo foram destruídos, maioritariamente no Peloponeso e na ilha de Eubeia. Só em agosto morreram 67 pessoas, numa série de incêndios que só teve fim nos primeiros dias do mês seguinte. Um agricultor de 26 anos foi detido e confessou ser culpado de fogo posto, mas a quantidade de incêndios que se verificaram nas diversas regiões da Grécia sugere que o incendiário não foi o único responsável pelo crime.

Fevereiro 2009

Vitória, Austrália: Setenta anos volvidos após os incêndios da “Black Friday” (“Sexta-feira Negra”), de 1939, que resultaram em mais de 70 mortes, o estado australiano de Vitória – conhecido pelos seus constantes bushfires, verificados e combatidos ano após ano – testemunhou um incêndio ainda mais mortífero: o “Black Saturday”. No dia 7 de fevereiro de 2009 eram cerca de 400 as frentes ativas de incêndio que lavravam nas florestas do segundo estado mais populoso da Austrália. Os fogos estiveram ativos durante mais de um mês e resultaram num triste balanço de 173 mortos e centenas de feridos.