Desporto

Mourinho também está sob a mira do Fisco espanhol

A Autoridade Tributária espanhola acusa o técnico português de fraude fiscal no valor de 3,3 milhões de euros entre 2011 e 2012, quando treinava o Real Madrid. Ronaldo, por sua vez, já tem a data marcada para ser presente a um juiz: 31 de julho

Depois de Cristiano Ronaldo, José Mourinho. O multi-titulado treinador português foi igualmente acusado de fuga ao fisco espanhol, no caso num valor de 3,3 milhões de euros, referentes aos anos de 2011 e 2012, quando treinava o Real Madrid. Mais uma vez, tal como no caso do CR7, estes números referem-se a receitas provenientes da cedência dos direitos de imagem, que não terão sido declaradas por Mourinho.

De acordo com a Imprensa espanhola, o “Special One” estará a ser investigado desde 2014, tendo sido alertado de tal pelo próprio Fisco a 23 de julho desse ano. E tudo devido a contratos firmados pelo técnico luso com as empresas Kooper Services S.A. (com sede nas Ilhas Virgens Britânicas), Multisports & Image Management Limited e Polaris Sports Limited (ambas da Irlanda). “Todas estas estruturas societárias foram utilizadas pelo denunciado com o objetivo de esconder fisicamente os benefícios procedentes dos seus direitos de imagem”, acusa o Fisco espanhol.

Mourinho, refira-se, assinou a 3 de julho de 2015 um documento em que assumia não ter declarado direitos de imagem e concordava em pagar uma multa de 1,14 milhões de euros.

Em comunicado, a Gestifute, empresa de Jorge Mendes que representa o treinador, garantiu não ter sido notificada de qualquer denúncia, proclamando também a total inocência de Mourinho. “José Mourinho, que residiu em Espanha desde junho de 2010 até maio de 2013, pagou mais de 26 milhões de euros em impostos, com uma taxa média superior a 41% e aceitou propostas de regularização da Administração Fiscal em 2015, relativas aos anos de 2011 e 2012, e resolveu por acordo a situação relativa ao ano de 2013. O Governo espanhol, através da Agência Tributária, emitiu uma certidão onde confirmava que ele tinha regularizado a sua situação e que se encontrava com todas as suas obrigações tributárias em dia”, pode ler-se na missiva.

Ronaldo clama inocência

Em maus lençóis, como se sabe, está também Ronaldo. Agora, o capitão da Seleção nacional portuguesa já sabe a data em que irá ser ouvido em tribunal perante um juiz de instrução: 31 de julho, às 10h00 portuguesas. O CR7, recorde-se, é acusado de quatro delitos fiscais entre 2011 e 2014, por alegadamente não ter declarado um valor na ordem dos 14,7 milhões de euros, referente a receitas de direitos de imagem.

Segundo a Imprensa espanhola, Ronaldo mantém a convicção de defender a sua inocência até ao fim – um enorme risco, pois incorre numa pena de prisão de dois a sete anos e no pagamento de uma multa de 28 milhões de euros. No horizonte está, se Ronaldo optar por esta via, uma batalha judicial que se irá prolongar durante anos.

Ontem, o próprio ministro das Finanças espanhol, Cristóbal Montoro, tentou pôr alguma água na fervura. “Ninguém é culpado até que saia uma decisão judicial”, realçou, embora salientando a necessidade de utilizar o futebol como exemplo para o resto da sociedade.