Economia

Caixa. PCP quer reversão, PSD e CDS questionam aumentos das comissões

A partir de setembro, os clientes que estavam isentos de comissões vão passar a pagar 4,95 euros por mês ou terão de escolher a Conta Caixa.

Os clientes da Caixa Geral de Depósitos (CGD, que até agora estavam isentos de comissões, vão passar a pagar 4,95 euros por mês ou terão de escolher a Conta Caixa com custos mais baixos, de acordo com a nova tabela de Comissões e Despesas da Caixa. O preçário vai entrar em vigor a partir de setembro e a instituição financeira já está a contactar esses clientes para os informar dos novos custos. As reações dos partidos não se fizeram esperar – incluindo dos que apoiam o governo.

O PCP defende a reversão da medida e pede ao governo que tenha uma “intervenção mais geral” de forma a limitar as taxas cobradas pela banca privada. “O aumento das receitas da CGD, por via das comissões bancárias é mais um passo que visa impor à Caixa critérios de gestão em linha com a banca privada e que, em última análise, favorecem sempre os grupos monopolistas que controlam o setor financeiro no país”, revela o partido em comunicado.

Os comunistas consideram também que este agravamento de preços é “ainda mais grave” porque “elimina isenções que até hoje reformados e pensionistas com mais de 65 anos” tinham no banco do Estado.

Já o Bloco de Esquerda criticou a medida e lembrou que o banco público tem “obrigações especiais”. “A Caixa Geral de Depósitos (CGD) está a começar a fazer o que a generalidade dos bancos já faz, o que não justifica, porque é um banco público”, afirmou a coordenadora do BE, Catarina Martins.

No entender da líder bloquista, a Caixa não pode “ir atrás das práticas abusivas dos bancos privados”, até pelo contrário, defendendo que o banco público tem de “criar obrigações éticas mais fortes a todo o sistema bancário”.

 

PSD e PSD questionam aumentos

O maior partido da oposição já questionou o ministério de Mário Centeno e o presidente da Caixa Geral de Depósitos sobre esta subida das comissões cobradas pela Caixa, considerando que estas refletem o modelo de recapitalização escolhido pelo Executivo: “Estes aumentos parecem ser o preço a pagar pela escolha do modelo e condições de recapitalização da CGD decididos pelo atual Governo em 2016”.

Também o CDS revelou que vai questionar o Ministério das Finanças sobre a subida das comissões. “Nós dissemos desde o início que a recapitalização da CGD estava mal explicada, e vamos aos poucos percebendo que as condições que o Governo português negociou no âmbito dessa recapitalização são muito lesivas para os contribuintes portugueses e para muitos dos clientes da CGD”, revelou João Almeida.

No entender do deputado, “esta recapitalização que este governo negociou acaba por ser o pior de dois mundos, porque os contribuintes pagaram a recapitalização e como contrapartida ainda têm a redução de serviços ou o aumento de custos desses serviços”.