Santana Lopes. “O Governo está mais frágil desde Pedrógão”

O antigo Primeiro-ministro acredita que a posição de António Costa só não está mais fragilizada porque a oposição “ainda não encontrou o tom certo”

Pedro Santana Lopes considera que tanto o Governo como a oposição têm gerido mal a situação de Pedrógão Grande, nomeadamente a polémica que envolve a divulgação dos nomes das vítimas mortais na tragédia. Para o antigo Primeiro-ministro, ambos os lados deveriam ter tido mais discrição e "sentido de Estado".

"Chocou-me esta polémica, não gostei de ouvir, fez-me impressão. Devia ser tratada civilizada e discretamente entre os líderes do Governo e da oposição e com sentido de Estado. Isto é um drama nacional", ressalvou Santana Lopes no espaço que mantém como comentador na SIC Notícias, não poupando o atual Primeiro-ministro: "O Governo é que tem de dar resposta às questões que lhe são colocadas, e não remeter para outros, muito menos para entidades que estão sob a sua tutela."

Segundo a visão do atual provedor da Santa Casa da Misericórdia, o Governo tem neste momento a sua posição bem mais fragilizada do que até há cerca de um mês: "Não está igual a antes de Pedrógão. Houve uma série de casos complicados, onde o Governo tem demonstrado alguma fragilidade, e muitas vezes estes acontecimentos são muito maus para os governos e têm consequências muito complicadas."

As coisas só não estão piores para António Costa porque a oposição "ainda não encontrou o tom", defende Santana Lopes. "A oposição começou bem no tema de Pedrógão, calma, serena, no tom correto que devia ser mantido. Mas entretanto perdeu-se. Como esse ultimato do PSD: o que é que ele [Hugo Soares, novo líder parlamentar do PSD] faria no fim das 24 horas?", questionou.

António Vitorino, colega de painel, corroborou algumas das ideias de Santana Lopes, elogiando também o presidente da República, Marcelo de Sousa. "Fez bem em pedir contenção. Algumas vezes, os partidos políticos parece que também precisam de se alimentar do fogo", ressalvou, criticando também António Costa: "O Primeiro-ministro disse pela segunda vez "está encerrado" sem estar nada encerrado! Numa questão tão sensível e com um impacto humano, todos os agentes políticos deviam ter um cuidado redobrado."