Sociedade

SIRESP. Todos concordam que não funcionou

Constança Urbano de Sousa admite falhas, mas lembra que “não são de hoje”. Esquerda diz que o sistema tem “demasiados” problemas. PSD lamenta que ministra não peça desculpas

A ministra da Administração Interna foi ao parlamento, a pedido do PSD, explicar as falhas no SIRESP (Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal) no combate aos incêndios e admitiu que “há falhas de funcionamento”. Constança Urbano de Sousa garantiu, porém, que as falhas “não são de hoje” e lembrou os problemas ocorridos em 2012 e 2013, altura em que o país era governado pela coligação PSD/CDS.

“Em 2012, houve falhas clamorosas no incêndio do Caramulo onde vários bombeiros faleceram”, afirmou Urbano de Sousa, revelando, ao mesmo tempo, que o SIRESP voltou a falhar, nos últimos dias, no incêndio de Mação. A ministra garantiu que o sistema “não falha totalmente”, mas “existe um problema que tem de ser resolvido com seriedade e sentido de Estado (...) Estamos a tomar uma série de medidas (...) Temos que avançar por aí para que o SIRESP não falhe como falhou em 2012, como falhou em 2013, como falhou em 2014 e como está a falhar, entre aspas, em 2017”.

PSD NÃO SE VAI CALAR

As maiores críticas à atuação do governo no combate aos incêndios foram feitas pelo PSD e CDS. Carlos Abreu Amorim, deputado social-democrata, começou por garantir que ninguém “vai calar” o PSD e acusou o governo de não estar “à altura deste momento tão difícil”.

Os sociais-democratas desafiaram a ministra, no arranque da audição, a pedir desculpa aos portugueses. Duas horas depois, Carlos Abreu Amorim lamentou que o governo tenha perdido a oportunidade de o fazer. “Os portugueses saberão tirar as devidas ilações”.

Do lado do CDS, Telmo Correia voltou a defender que Constança Urbano de Sousa devia ter apresentado a demissão na sequência da tragédia de Pedrógão Grande. A ministra nunca se referiu a essa possibilidade durante esta audição, mas já tinha explicado, há umas semanas, no parlamento, que “o mais fácil” seria bater com a porta, mas quis ficar ao lado daqueles que combateram as chamas. Constança Urbano de Sousa garantiu ontem que está a dar o seu melhor e rejeitou entrar naquilo que definiu como “politiquice”.

esquerda critica falhas

Bloco de Esquerda e PCP também criticaram as falhas no SIRESP. “Nasceu torto”, disse o deputado comunista Jorge Machado, considerando que “ele tem demasiadas falhas em situações de emergência e nunca funcionou como devia”. Os bloquistas voltaram a defender a nacionalização do SIRESP e quis saber quanto é que custa ao Estado anualmente este sistema. Constança Urbano de Sousa esclareceu que o SIRESP custou 43 milhões de euros, em 2015, 41 milhões em 2016 e 40 milhões em 2017.

Ao desafio do PSD para que o governo apresente um pedido de desculpa aos portugueses respondeu a ministra da Presidência, Maria Manuel Leitão Marques, com a garantia de que os sociais-democratas é que deviam “pedir desculpas ao país por ter levantado suspeitas em questões de vida ou morte”.

Constança Urbano de Sousa explicou ontem a decisão de impedir os comandantes distritais de falarem à comunicação social. “É necessário que os comandantes comandem e não estejam, de cinco em cinco minutos, a responder aos pedidos dos jornalistas”, afirmou a ministra da Administração Interna. Constança Urbano de Sousa defendeu ainda que é necessário que “os comandantes se concentrem” na coordenação e no combate aos incêndios e não se vejam constantemente solicitados para esclarecimentos. Constança Urbano de Sousa explicou ontem a decisão de impedir os comandantes distritais de falarem à comunicação social. “É necessário que os comandantes comandem e não estejam, de cinco em cinco minutos, a responder aos pedidos dos jornalistas”, afirmou a ministra da Administração Interna. Constança Urbano de Sousa defendeu ainda que é necessário que “os comandantes se concentrem” na coordenação e no combate aos incêndios e não se vejam constantemente solicitados para esclarecimentos. Citações “Não tenho nenhum jeito para aquilo que chamo de politiquice” Constança Urbano de Sousa ministra da administração interna “O governo não esteve à altura deste momento tão difícil (...) Devia ter pedido desculpa e não o fez” Carlos Abreu Amorim deputado do psd “Ter sentido de Estado é assumir responsabilidades. Assumir falhas e dar oportunidade a outros” Telmo Correia deputado do cds “O SIRESP nunca funcionou bem nem como devia” Jorge Machado deputado do pcp “É inadmissível que, passados dez anos, continue a falhar” Sandra Cunha deputada do bloco de esquerda “Não tenho nenhum jeito para aquilo que chamo de politiquice”