Cultura

O mais famoso orgasmo do cinema já tem 28 anos

Foi há 28 anos que Meg Ryan, no filme When Harry Met Sally (Um Amor Inevitável, na tradução em português), protagonizou o mais famoso orgasmo (fingido) da história do cinema.

São poucas as pessoas – em especial as mulheres – que não conhecem esta cena: Sally queria provar a Harry (Billy Crystal) que os homens não sabem quando as mulheres estão a fingir que estão a ter prazer durante o acto sexual e em pleno restaurante, sem o menor pudor e com várias pessoas à volta, simula um orgasmo.

Mas é preciso contextualizar a cena: estávamos em 1989 e a sexualidade das mulheres era falada muito menos abertamente do que hoje. Só para dar um exemplo, apenas em Junho de 1998 saiu o primeiro episódio da série ‘O Sexo e a Cidade’.

Esta cena, escrita pela produtora do filme Nora Ephron, para além de ser hilariante, é quase que um ‘grito do Ipiranga’ para a sexualidade feminina: o prazer da mulher é assumido de forma independente ao do homem – Harry, pretensiosamente, acredita conhecer este lado sexual das mulheres - e o sexo é transportado de uma forma descomplexada para um cenário público, como reflecte o jornal francês Le Figaro.

E não podemos esquecer a ‘cereja no topo do bolo’ desta encenação. Uma senhora na casa dos 50/60 – na vida real, a mãe do realizador, Rob Reiner – sentada ao lado do casal no restaurante que, quando o empregado de mesa se lhe dirige para tomar nota do seu pedido, recebe como resposta: “Quero aquilo que ela [Sally] está a comer” (“I’ll have what she's having”).

Agora a parte que pode decepcionar alguns amantes do filme. Segundo o realizador, foi ele quem teve de explicar a Meg Ryan como fingir o orgasmo, uma vez que a actriz estava "nervosa" com a cena.

“Ela estava em frente a toda a equipa e das primeiras vezes que simulou o orgasmo, foi muito fraco. E eu disse: ‘Deixa-me mostrar-te aquilo que quero que faças’. Sentei-me em frente ao Billy [Crystal] e comecei a bater na mesa a gritar ‘sim, sim, sim’. Depois disso, a Meg fez a cena muito melhor”, recorda Reiner, na revista Time, um quarto de século depois.

E ainda bem que o fez. Afinal, quanto realizadores podem dar-se ao luxo de, 28 anos depois, continuarem a falar da mesma cena e das pessoas continuarem a referir-se-lhe com o mesmo entusiasmo?