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Pablo. A máquina fotográfica nunca irá substituir a presença física

Conheceu Portugal através de fotografias e ficou maravilhado. Um ano depois veio cumprir o sonho e ver com os próprios olhos as paisagens das cidades portuguesas


Muitas vezes são as fotografias que nos dão a conhecer um pouco do mundo. Amigos que mostram esta ou aquela cidade, mas as imagens nunca terão o poder de mostrar aquilo que os olhos conseguem ver ou tocar. Estar num lugar presencialmente é totalmente diferente daquilo que se pode ver por fotografias e é nisso que Pablo De Gregorio acredita.

Pablo tem 22 anos e estava sozinho na entrada da estação de Santa Apolónia, encostado a uma parede. O seu ar descontraído dava a impressão de ser turista.

Analisava cada passo e cada pessoa que passava à sua frente. Na verdade, fazia o mesmo que nós, apenas com uma diferença. Enquanto analisávamos turistas disponíveis para falar e contarem as suas histórias, Pablo ficava no seu canto a analisar as pessoas e a captar cada momento através da sua máquina fotográfica.

Pablo fotografava cada ângulo da estação e, dez minutos depois, a máquina parou. Parecia que o rolo tinha terminado e aproveitámos a ocasião para tentar falar com ele.

Pablo é espanhol, natural de Madrid, e veio a Portugal passar as suas férias. Não é a primeira vez que está em terras portuguesas porque “Portugal não é país para se visitar uma única vez”, contou.

Perguntámos-lhe o porquê da sua afirmação e a resposta foi imediata: “Portugal é lindo e ainda há tanto para descobrir. Este já é o terceiro ano que aqui venho e, mesmo assim, ainda não tive tempo para conhecer nem metade.”

A conversa estava agradável, mas Pablo tinha pouco tempo para nos contar as suas experiências. Estava só de passagem por Lisboa. Vinha de Óbidos, no distrito de Leiria, e parou na estação de Santa Apolónia apenas para trocar de comboio, com rumo ao Porto.

Depois de passar pela capital com dois amigos, Pablo tinha mais quatro dias para ir visitar uma amiga do Norte. Não sabia o que ia encontrar, mas alguém importante o esperava.

“Não tenho nenhum local específico para visitar. Recomendaram-me a cidade. Dizem que é bonito. É bonito, não é?”, questionou-nos, acenando com a cabeça, como se já soubesse a resposta.

“As pessoas são muito simpáticas. Muito diferentes de Madrid. Mais educadas, mais simpáticas. Por isso é que gosto de Portugal e faço questão de vir todos os anos”, referiu.

O ponteiro dos minutos estava quase a marcar um quarto para as três e Pablo, já atrapalhado, despediu-se como se de um amigo já se tratasse.

O papel de fotógrafo mudou e a foto da praxe foi tirada. Por fim, agradeceu pela conversa e afirmou com todas as certezas: “Para o ano volto. Está prometido.”