Politica

Rentrée do BE. Catarina quer “fazer o que falta”

Coordenadora do BE avisou na rentrée dos bloquistas que o acordo com os socialistas “não se esgota nas medidas já aprovadas” e que chegou a hora de “discutir escolhas” em vez de restrições

O discurso de Catarina Martins, na rentrée do Bloco de Esquerda, ficou marcado pelas exigências dos bloquistas em relação ao próximo Orçamento do Estado. “Nós vamos estar a discutir escolhas, muito mais do que restrições”, avisou.

Catarina Martins fez um balanço do acordo com os socialistas e garantiu que o Bloco não está disposto a “gerir o que já foi feito”, mas pretende “fazer o que falta fazer e o que nos comprometemos a fazer”. E acrescentou: “O acordo não se esgota nas medidas já aprovadas.”

Numa altura em que estão a decorrer as negociações para o Orçamento do próximo ano, Catarina Martins defendeu que é preciso “desfazer o brutal aumento de impostos que Vítor Gaspar fez” e alterar os escalões do IRS. “Se for preciso modelar os tetos dos escalões mais altos para que a recuperação seja maior nos escalões mais baixos, cá estaremos para isso.”

A coordenadora dos bloquistas referiu que “para o Bloco de Esquerda, vincular os 11 mil professores contratados de que a escola precisa tem de ser também um compromisso para o resto da legislatura”. O Bloco quer ainda garantir as reformas antecipadas por inteiro para quem começou a trabalhar mais cedo mas “é desempregado de longa duração e não tem os anos de descontos exigidos pelo novo regime”. Em resumo, a bloquista defendeu que “este Orçamento terá de dar provas de que fez essas escolhas em nome das pessoas”.

Socialistas na rentrée do BE A rentrée do Bloco de Esquerda coincidiu com a do PS, mas nem por isso deixou de contar com a presença de alguns socialistas. João Galamba, porta-voz e deputado do PS, foi um dos convidados para participar num debate sobre a União Europeia. Galamba defendeu que a geringonça deve continuar mesmo que o PS tenha maioria absoluta nas próximas eleições legislativas. “Se o PS tiver maioria absoluta, quero que se mantenha a experiência de trabalhar e colaborar com o BE, com o PCP e com Os Verdes”, disse o deputado socialista, garantindo que “esta experiência, como estes dois anos têm demonstrado, serve a todos.” Galamba garantiu que deseja que o PS tenha “o maior número de votos possível”, mas não quer que o PS fique “isolado” e que “esta experiência se perca”.

Pedro Nuno Santos, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, foi outro dos socialistas que estiveram presentes na iniciativa dos bloquistas. Nuno Santos é, desde o início, uma peça fundamental nas negociações com a esquerda e garantiu que hoje é mais fácil dialogar porque os partidos ganharam “confiança uns nos outros”.

Costa define prioridades Em Faro, na rentrée dos socialistas, António Costa não fez referência aos parceiros de esquerda, mas definiu as prioridades para o próximo ano com a garantia de que “o próximo Orçamento do Estado vai prosseguir uma trajetória de redução do défice porque só assim podemos reduzir a dívida pública; vai continuar a promover o investimento porque só assim continuaremos a crescer; e vai continuar também a aumentar o rendimento disponível das famílias porque aumentar o rendimento das famílias é essencial para melhorar a nossa situação económica”. Nesse sentido, o primeiro-ministro assegurou que o governo vai “melhorar a progressividade do IRS. Vamos aumentar os escalões do IRS para que quem ganha menos pague menos, porque é com maior justiça fiscal que nós também melhoramos o rendimento das famílias”.