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Tancos. PSD pede “responsabilidades” e Cristas insiste: demita-se!

“O senhor ministro da Defesa mais uma vez veio mostrar que não tem a mínima noção do que é exercer o cargo”, afirma líder do CDS

O ministro da Defesa, Azeredo Lopes, voltou ontem a ser alvo de fortes críticas do PSD e do CDS por ter afirmado que não sabe “se alguém entrou em Tancos”.

“No limite, pode não ter havido furto nenhum”, acrescentou Azeredo Lopes, numa entrevista à “TSF” e ao “Diário de Notícias”, em que afirmou: “Como não temos prova visual nem testemunhal, nem confissão, por absurdo podemos admitir que o material já não existisse e que tivesse sido anunciado... e isto não pode acontecer”.

PSD e CDS aproveitaram a entrevista para voltar à polémica que já tinha levado Assunção Cristas a pedir a demissão do ministro.

Assunção Cristas defendeu ontem, na sequência da entrevista de Azeredo Lopes, que “o senhor ministro da Defesa Nacional mais uma vez veio mostrar que não tem a mínima noção do que é exercer o cargo que ocupa” e “não tem estatura para o exercer”.

DEVE SAIR DO GOVERNO

A presidente do CDS afirmou que “se o ministro da Defesa não sabe, acha que não tem de saber, não quer saber, então, pois que saia do seu cargo. Se o senhor ministro da Defesa acha que pode ser um qualquer um cidadão que faz perguntas, mas que não tem nenhuma responsabilidade nas respostas, então deve sair do governo e tornar-se um comum cidadão, porque não compreendeu ainda a natureza do seu cargo”.

O PSD foi o primeiro a criticar a declaração feita por Azeredo Lopes. O deputado social-democrata, Costa Neves, em conferência de imprensa, na sede nacional do partido, garantiu que “o PSD, na próxima semana na Assembleia da República, vai fazer tudo para que isto se esclareça e para que sejam assumidas responsabilidades. Há responsabilidades políticas neste caso, e não deixaremos de partilhar com os portugueses o que se souber”.

O social-democrata defendeu que “é uma situação que vai para além do tudo o que esperamos. Quando pensamos que não pode ser pior, é pior (...) O ministro diz que, no limite, pode não ter havido assalto, mas ao mesmo tempo defende celeridade no inquérito. Então o que se fez nestes dois meses e meio?”, questionou o dirigente social--democrata.

INVESTIGAÇÃO

O ministro da Defesa, perante as críticas às suas declarações, escreveu na sua página de facebook que “lendo-se a entrevista, percebe-se o que ´disse´ e o que quis ´dizer`. E ver-se-á, então, que se trata, isso sim, de uma reafirmação de respeito pela investigação criminal”.

SITUAÇÕES SEMELHANTES

Azeredo Lopes garantiu, nesta entrevista, que não existem “situações de fragilidade semelhantes” às de Tancos, mas admitiu que foram detetados casos em que se justificou reforçar a segurança.

“Situações de fragilidade semelhantes não foram verificadas. Foram verificadas situações em que se justificava reforçar a segurança”, disse o governante, realçando “a necessidade de uma vez por todas de haver um conhecimento instantâneo, atualizado, de tudo o que está nos paióis para se evitar no futuro o que ocorreu em Tancos“.