Sociedade

Greve com adesão de 90%, a caminho da manif dos cravos brancos

Ministério ainda não fez balanço oficial. Governo tenta hoje chegar a acordo com o SEP.

O aviso de que a greve era considerada irregular pelo governo e que serão marcadas faltas injustificadas não parece ter desmobilizado os enfermeiros, antes pelo contrário. De acordo com o Sindicato dos Enfermeiros e com o Sindicato Independente do Profissionais de Enfermagem, que convocaram o protesto, a adesão subiu ontem para os 90%. Depois de uma reunião inconclusiva na terça-feira, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, que não aderiu à greve, reúne-se hoje de novo com a tutela, mas ainda não descarta a hipótese de serem convocadas, também por parte deste sindicato, novas formas de luta.

Em cima da mesa, para o SEP, estão questões como a reposição do pagamento de horas de qualidade, o alargamento das 35 horas de trabalho repostas na função pública a todos os enfermeiros que trabalham nos hospitais públicos com contratos individuais de trabalho e a criação de uma carreira de especialista, isto além do descongelamento das progressões em toda a função pública. “Ausência de propostas/respostas insuficientes determinarão formas de luta”, avisava ontem um ponto de situação negocial divulgado pelo SEP.

Já da parte dos sindicatos grevistas, que pretendem uma revisão global da carreira, está a ser organizada a manifestação para sexta-feira, pelas 12 horas, em frente ao parlamento, em Lisboa. Os enfermeiros esperam bater a que consideram ter sido a maior manifestação de sempre da classe, em 2010. E já decidiram que o símbolo do protesto serão cravos brancos.

De acordo com os sindicatos, a greve cancelou cerca de 5 mil cirurgias. Alguns enfermeiros grevistas têm assegurado serviços mínimos. A tutela não fez ainda um balanço oficial. No início da semana, o ministério explicou que os enfermeiros têm cinco dias para justificar as faltas.

Depois das manifestações de segunda-feira têm sido organizados outros protestos e vigílias em vários pontos do país e até no estrangeiro. As redes sociais têm sido outra frente de reivindicação, com vários grupos dinamizados por enfermeiros onde se partilham testemunhos e fotos nos serviços com adesão de 100%.