Desporto

Europa. Os assassinos do Minho e o rapaz de Baguim do Monte...

Em Hoffenheim, o Braga teve a capacidade de recuperar de um início tímido e virar o resultado (2-1). O AC Milan foi a Viena arrasar o Áustria (5-1) com três golos de André Silva.

Europa azeda! Europa ingrata! Nem para todos! Nem para todos! E as coisas nem começaram mal demais, com o Sporting logo a arrumar praticamente a sua discussão ateniense frente ao Olympiacos, golos logo a abrir. Surpreendentemente ou talvez não, é um leão que neste momento parece mais talhado para o contragolpe, veja-se o que fez em Bucareste, ao Steaua, ou em Guimarães, ao Vitória, contrastando, por exemplo, com o que acontecera em Alvalade perante os mesmos romenos ou o Vitória de Setúbal.

Seguiram aquelas grandessíssimas estuchas dos jogos de Lisboa e Porto, Luz e Antas, derrotas desastradas e desastrosas, e não se esperaria nada de muito famoso de um Braga até agora excessivamente frágil no campo de um Hoffen-heim que ainda há pouco, há poucochinho, como a neve do Augusto Gil, bateu nada levemente o campeão alemão do costume, Bayern de Munique.

Pois a verdade é que este Braga de Abel Silva, que já devia ter um andamento competitivo bem mais razoável, tendo em vista estar a jogar a sério há mais tempo do que os outros, por via da pré-eliminatória da Liga Europa, pareceu entrar assustado no campo do seu adversário alemão, vá lá saber-se se por respeito em demasia para com um representante da Bundesliga ou por estar precisamente sugestionado por essa vitória do seu opositor sobre o monstro da Bavária.

Aguentou-se, no entanto.

A soberba alemã é conhecida. Desta vez saiu cara.

Consciente da sua superioridade, que no papel não se discute, o Hoffenheim foi dormindo sobre as palhas aquecidas de um golo que parecia ter feito tombar, de forma definitiva, a balança do jogo para o lado da equipa germânica.

Erros que se lamentam geralmente já tarde.

E, desse modo, o Braga tirou-se das suas tamanquinhas e foi por ali fora, disputando bola aqui, bola ali, cada vez mais próximo da área contrária até que, zás!, deu o golpe.

Aliás, deu dois golpes. Um mesmo antes do intervalo e outro logo depois.

Quem haveria de supor...

Não certamente os boquiabertos alemães.

Enraiveceram o seu jogo. Foram à procura do tempo perdido.

Ah! Mas aí o Braga já tomara conta do jogo. Inteligentes na forma como souberam controlar o adversário e impedi-lo de criar lances de perigo, os minhotos foram ao encontro de uma vitória que se tornou brilhante.

E nem foi preciso dose exagerada de sofrimento. Afinal, os alemães não tinham ideias. E, surpreendentemente, nem força.

Eis uma tarde que fica marcada a letras douradas no livro da história do clube.

Em Viena Em Viena, a Viena do “Danúbio Azul” muito pouco azul, mais Strauss menos Strauss, mais valsa menos valsa, um rapazinho chamado André Miguel Valente da Silva, nascido lá para os lados de Gondomar, nas terras de Baguim do Monte, ainda na ternura dos seus 21 anos, ia mostrando que a Europa não é azeda nem amarga para todos os portugueses.

Com a camisola do Milan às costas, uma camisola pesadíssima, a bem que se diga, de um clube multiplicadamente histórico, já com sete Taças dos Campeões nas vitrinas, só fazendo vénias ao Real Madrid na vida da prova maior do grande futebol do continente, corria pelo relvado com a alegria de quem anda pelos campos a colher goivos e papoilas, marcando golos com aquela facilidade que os números nove, assim mesmo por extenso, costumam chamar sua.

Nanja que o adversário, um Áustria de Viena que já viu dias mais brilhantes e até já se apresentou em finais de provas de estofo, fosse algum papão, que não o era. Mas, verdadeiramente, que importa isso se o moço faz e bem o seu trabalho, agora em Itália como já o fez ao serviço da seleção nacional, na qual Fernando Santos o vai transformando paulatinamente no parceiro preferencial desse ogro das balizas chamado Cristiano Ronaldo.

Três golos num encontro das provas europeias, mesmo nesta segunda divisão da Europa que é esta liga cheia de equipas, muitas delas sem grande ponta por onde se lhes pegue, é de premiar com aplausos. E André Silva merece-os.

Tem muito ainda para crescer, mas o golo vive nele com a alegria dos predestinados.

Continuará seguramente a marcá-los.

Um pouco por toda a parte.

Desta vez foi em Viena. Não é fácil encontrar lugar mais formoso.