Internacional

Facebook permite publicidade de ódio racial e religioso

Algoritmo da rede social direciona publicidade para temas "como queimar um judeu", "ku-klux-klan", "pilhar as mulheres e violar a aldeia", "matar muçulmanos radicais"

O Facebook tem anúncios direcionados para utilizadores que tenham interesse em tópicos como "ódio aos judeus" ou "german schutzstaffel", também conhecidas pelas SS nazis, de acordo com uma investigação da ProPublica. Assim que os jornalistas escreviam "ódio aos judeus" a ferramenta de publicidade do Facebook sugeria tópicos como a "história de como os judeus arruinam o mundo" ou "como queimar um judeu".

Para terem a certeza de que eram reais, os investigadores compraram três anúncios à espera que a rede social lhes recusasse a compra. Porém, a publicidade avançou mesmo e ficou disponível para todos os utilizadores com interesses em semelhantes. A rede social respondeu que a seleção dos utilizadores tinha sido "excelente!". 

A ProPublica contatou o Facebook, que prontamente removeu os anúncios e as respetivas categorias, explicando que tinham sido geradas automaticamente pelo algoritmo. Os responsáveis da empresa acrescentaram ainda que iriam estudar formas para evitar que semelhantes categorias ofensivas surgissem no futuro. 

A revista norte-americana Slate tentou fazer o mesmo esta quinta-feira e voltou a conseguir criar anúncios direcionados para grupos de ódio racial e religioso. Os seus anúncios dirigiam-se a utilizadores que tinham demonstrado interesse em "matar muçulmanos radicais", "ku-klux-klan", "como matar judeus", "pilhar as mulheres e violar a aldeia" e em mais de uma dúzia de categoria do género. A rede social demorou apenas um minuto a aprovar os anúncios. 

Não é a primeira vez que o Facebook é confrontado com problemas éticos de segmentação de públicos-alvo nos seus anúncios publicitários. No ano passado, a ProPublica divulgou que a rede social permitia excluir das suas opções de públicos-alvo certas "afinidades étnicas" num anúncio de habitação, por exemplo. Uma prática que parecia violar as leis federais norte-americanas contra a discriminação.

Num momento em que as tensões entre grupos antifascistas e de extrema-direita se encontram elevadas nos Estados Unidos, as empresas tecnológicas norte-americanas encontram-se sob maior escrutínio por alegadamente facilitarem a difusão de ideias de ódio racial e religioso na internet.