Economia

Promessa de Centeno: dívida vai ter a maior redução em 19 anos

Juros caíram ontem em todos os prazos depois de a Standard & Poor’s ter decidido subir o rating para BBB-, o primeiro nível acima de “lixo”.

A semana começou com uma nova promessa do governo: a dívida pública terá, ainda este ano, a maior redução dos últimos 19 anos. Quem o garantiu foi Mário Centeno, numa entrevista à RTP.

“Vai reduzir-se, isso é uma certeza. A própria S&P já faz referência a isso”, começou por dizer o atual responsável pela pasta das Finanças portuguesas. “No fim do ano prevemos ter a dívida pública em 127,7% do PIB. Em relação ao final do ano passado, será a maior redução em 19 anos da dívida pública em percentagem do PIB”, sublinhou.

A ideia é que este seja o começo de um longo caminho na direção certa: “A dívida pública vai cair nos próximos anos de forma consecutiva, até estabilizar todas as condições de financiamento da economia portuguesa.”

A verdade é que, por onde passa, o PS diz que o país está melhor e centra o discurso no facto de, em dois anos, ter conseguido devolver confiança às famílias e empresas. No entanto, a dívida pública portuguesa continua a ser assunto sério e pesa cada vez mais. Atualmente, Portugal tem a quarta maior dívida do mundo. E é Mário Centeno quem tenta fugir mais aos discursos otimistas: “O otimismo tem de ser assertivo e pragmático. Porque a dívida permanece a quarta maior do mundo. Os outros exemplos que estão acima de nós não são exemplos que Portugal queira seguir, e nem pode seguir.”

Há várias listas com os países que mais devem. A 30 de junho, por exemplo, o Business Insider listava os 23 países mais endividados. Em primeiro lugar aparecia o Japão (234,7%), seguido da Grécia (181,6%), e logo depois o Líbano (132,5%).

Vejamos a trajetória portuguesa que nos trouxe até estas listas onde nenhum país quer estar. Em 2008, a dívida pública portuguesa fixava-se em 67,4% do produto interno bruto (PIB). Mas, em 2011, era já de 109,3%. Mais tarde, já em 2014, tinha chegado aos 132,6%. O ano de 2015 trouxe uma ligeira melhoria (129%) mas, nos primeiros meses deste ano, a dívida pública portuguesa estava já nos 132,4%.

Más notícias que implicam que sejam tomadas medidas urgentes. Mas também há boas notícias. Depois de a Standard & Poor’s (S&P) ter tirado Portugal do “lixo” [o rating subiu para BBB-, o primeiro nível acima de “lixo”], as taxas de juro da dívida nacional começaram a deslizar em todos os prazos. Por exemplo, a taxa de juro associada à dívida nacional chegou a tocar, ontem, o valor mais baixo desde janeiro de 2016, de acordo com os valores de fecho dos juros a dez anos.

Muitos referem que é importante recordar que a subida de notação não se prende apenas com o que aconteceu nos últimos dois anos em Portugal. Até porque, em 2007, Portugal tinha AA- de notação. Acabou por ser revista em baixa e, antes das eleições em 2008, era já de BBB. Após as eleições desceu ainda mais, passando para “lixo”. Num artigo de opinião, Joaquim Miranda Sarmento recorda que “quase 90% do esforço orçamental dos últimos anos ocorreu antes de este governo tomar posse”.