Politica

Autárquicas. Desunião socialista em Matosinhos

O PS está cada vez mais dividido neste concelho que é um bastião dos socialistas. Pela primeira vez há três candidatos desta área partidária

A corrida aos votos em Matosinhos está marcada pelo regresso de candidatos e uma divisão entre socialistas, que já não é novidade, mas que nunca foi tão evidente. Este ano, pela primeira vez, há três candidaturas da área socialista.

E este é um espelho de que apesar dos socialistas vencerem as eleições desde 1976 – Matosinhos nunca teve outra cor política, direta ou indiretamente, que não o PS – nos últimos dez anos não tem havido consenso dentro do partido na escolha do candidato.

Há dois candidatos com ligações e percursos políticos dentro do PS, mas que o partido escolheu não apoiar. É o caso de Narciso Miranda, que regressa como candidato independente, depois de ter liderado a autarquia por mais de 25 anos pelo PS. Entre 1979 e 2005, Narciso Miranda apenas suspendeu as suas funções de autarca entre outubro de 1999 e setembro de 2000 para assumir o cargo de secretário de Estado da Administração Marítima e Portuária do governo socialista liderado por António Guterres. Em 2009 avançou como candidato independente e acabou por ser expulso do partido.

Quem também não colheu o apoio do PS para estas autárquicas foi António Parada, que nas últimas eleições em 2013, teve o apoio da máquina socialista para a corrida a Matosinhos. Nessa altura, acabou derrotado por Guilherme Pinto, também socialista, mas que, na altura, concorreu como independente.

O mesmo acontece agora a António Parada, ex-adjunto do secretário de Estado das Pescas e atual diretor técnico na Docapesca. Ao fim de 32 anos, com um cargo na comissão nacional, Parada decidiu bater com a porta e entregou o cartão de militante, em rutura com a direção da distrital socialista. Formou posteriormente uma lista independente com o nome de Movimento de Cidadãos Independentes – António Parada SIM e decidiu avançar. Decisão que tomou depois de saber que o PS, por indicação de Manuel Pizarro, presidente da Federação Distrital, iria apoiar Luísa Salgueiro, deputada eleita pelo círculo do Porto, que é também membro da distrital.

Na lista de Luísa Salgueiro – vereadora na autarquia entre 1997 e 2009, deputada na Assembleia da República onde é vice-presidente da bancada socialista – constam ex-socialistas que, há pelo menos quatro anos, saíram do partido para se candidatarem como independentes na lista de Guilherme Pinto. Além destes, Luísa Salgueiro conta ainda com apoio de históricos do partido: António Campos, António Arnaut (pai do SNS) e Fernando Costa, atuais militantes número um, dois e três do partido, respetivamente.

E toda esta divisão reflete-se na campanha, com trocas de acusações em cartazes ou de recurso aos tribunais com tentativas de impugnações de listas. Ernesto Páscoa, presidente da concelhia do PS de Matosinhos, fez saber que iria recorrer à via judicial para impugnar as listas do partido, lideradas por Luísa Salgueiro, considerando que a escolha da candidata “violou os estatutos”.

À direita, o cenário não é mais pacífico. O PSD, que nas últimas eleições não chegou aos 10% em Matosinhos, escolheu este ano como candidato Jorge Magalhães, médico reformado. Mas também esta escolha não foi tranquila. É que a concelhia social-democrata queria Joaquim Jorge na corrida só que a escolha não foi bem acolhida pela distrital. Com isto, José António Barbosa líder da concelhia demitiu-se levando com ele mais de uma dezena de membros da comissão política da concelhia.

Já o CDS, decidiu apoiar Parada frisando que esta não é uma situação “sem precedentes”. O líder da concelhia, Pedro Nuno Gonçalves, justificou a opção dos centristas dizendo que a lista de Parada “é criada por um grupo de cidadãos, não filiados em partidos políticos com tendências diversas, e que desafiaram um matosinhense, politicamente experiente, humilde, genuíno” que escolheu Matosinhos “em detrimento do partido onde há muito militava”.

O candidato da CDU é José Pedro Rodrigues, atual vereador da autarquia com o pelouro da mobilidade, ex-jornalista e assessor de imprensa.

Pelo Bloco de Esquerda é Ferreira dos Santos, fundador e dirigente do partido e deputado municipal há dois mandatos, quem está na disputa pelos votos. Por último, Filipe Cayolla, gestor e empresário de 51 anos concorre pelo Pessoas-Animais-Natureza, que apresenta o primeiro candidato neste concelho.