Internacional

Incêndios devastam a Califórnia

O condado de Sonoma foi o mais afetado pelo fogo que já fez 31 mortos. As nuvens de fumo tóxicas são uma das principais preocupações das autoridades norte-americanas.

É o incêndio mais mortífero na História do estado norte-americano da Califórnia. Pelo menos 31 pessoas já morreram, centenas estão desaparecidas, mais de três mil casas e estabelecimentos comerciais foram consumidos pelas chamas bem como 190 mil hectares de área. Estes são os últimos números fornecidos pelas autoridades norte-americanas para uma tragédia que parece estar longe do fim.

O fogo começou na noite do passado domingo, surpreendendo os residentes e as autoridades que, confrontados com o avanço avassalador das chamas, não puderam fazer mais que evacuar bairros inteiros. Ainda assim, 31 pessoas, a maioria idosos, perderam a vida. «Recuperámos pessoas com os corpos intactos e recuperámos pessoas que ficaram em cinzas e ossos», disse o xerife do condado de Sonoma, Robert Giordano. Ontem, mais de 400 pessoas ainda estavam dadas como desaparecidas, tendo as autoridades destacado 30 detetives para as localizar. Das pessoas dadas inicialmente como desaparecidas, os agentes tinham ontem conseguido localizar 745. 

A zona mais afetada pelos incêndios foi o condado de Sonoma, no norte da Califórnia, conhecida pela produção de vinho e habitual destino turístico. Em Santa Rosa mais de 3500 casas e estabelecimentos comerciais arderam e 17 pessoas perderam a vida. Paul Ackerley, um dos residentes, veterano da II Guerra Mundial que vive na zona há 50 anos, confessou: «Nunca vi isto tão mal». 

O grande incêndio de domingo deu origem a outros  21 fogos de proporções consideráveis, que continuam a consumir vastas áreas e a ameaçar residências, não obstante os esforços dos bombeiros. Com o avanço das chamas, as autoridades receiam agora os riscos para a saúde pública provenientes das enormes nuvens de fumo, que contêm gases tóxicos oriundos das casas ardidas e que já percorreram mais de 200 km em direção a Fresno, cidade no sul do estado.

A qualidade do ar degradou-se significativamente, obrigando as autoridades a classificarem-na como «não saudável» e a emitir avisos para as populações usarem máscaras de proteção. Os dois hospitais da zona não têm tido mãos a medir com a quantidade de pacientes que chegam aos serviços de emergência, que, normalmente, observam entre 105 a 135 pacientes por dia, mas que, agora, têm recebido entre 150 a 180. «Todas as nossas camas estão cheias e há dois dias que estão assim», afirmou Steve Huddleston, vice-presidente para assuntos públicos da rede de hospitais e clínicas  NorthBay Healthcare.

«Temos observado pacientes com doenças pulmonares crónicas, como enfisemas, geralmente pacientes mais velhos, o que é realmente exacerbado pelo fumo», disse o diretor do hospital St. Joseph Health, Dr. Chad Krilich. «Para alguns é realmente um risco de vida», complementou.