Politica

César lembrou que sabe como é viver uma tragédia

O presidente do PS e líder parlamentar não deu azo à possibilidade de ir para o governo.

“No exercício de outras funções públicas, passei, igualmente, por dolorosas experiências, em que provei várias vezes este fel amargo da morte de amigos e concidadãos.” Foi com esta partilha de sentimentos que Carlos César, líder da bancada parlamentar do PS, mostrou o seu apoio a António Costa, que finalmente mostrou ontem, durante o debate quinzenal, alguma emoção depois dos incêndios de domingo.

Carlos César era presidente do Governo Regional dos Açores há menos de um ano quando a tragédia da Ribeira Quente se abateu sobre o arquipélago, em final de outubro de 1997.

“Completar-se-ão 20 anos após as derrocadas que atingiram a freguesia da Ribeira Quente, na ilha de São Miguel em que faleceram esmagadas pela montanha 29 pessoas, muitas das quais segurei com as minhas mãos”, partilhou o presidente e líder parlamentar do PS durante a apresentação do voto de pesar dos socialistas.

“Sei bem, por isso, como esses sofrimentos consumados também nos fazem sofrer e nos podem fazer ser mais vigilantes”, acrescentou. Não faltou uma palavra de apreço para o Presidente da República que, na noite de terça-feira, fez o mais duro ataque a um governo de que há memória. “Organizar, coordenar, prevenir, combater eis as tarefas a que todos, mas todos, temos o dever de empreender com melhores resultados neste ‘novo ciclo’ que temos a obrigação de intentar, como disse o senhor Presidente da República”.

António Costa recordou ontem perante a Assembleia, em resposta ao deputado do PSD, Hugo Soares, os pesos de consciência que guarda desde 2006, quando foi ministro da Administração Interna. “Tenho a certeza que tal como eu, quem tivesse as minhas funções, não teria vivido todos estes meses sem um enorme peso na consciência”.

Mas o sentimento expresso por Carlos César não foi suficiente para admitir integrar o governo. Mal a demissão de Constança foi conhecida, o presidente do PS anunciou a recandidatura à liderança da bancada parlamentar, à qual preside desde 2015, saindo da lista de nomes possíveis para o lugar da ministra Constança Urbano de Sousa.