Politica

Pinto Luz: “Um partido não pode ser feito sempre com os mesmos”

O homem que liderou a distrital do PSD de Lisboa até este Verão diz que o tempo “exige ideias e protagonistas do nosso tempo”
 

Foi um dos quase-candidatos. Como Rangel, Pedro Duarte ou Montenegro, e talvez dos que estiveram mais próximos de avançar. Montenegro nunca o quis realmente (por agora); Pedro Duarte quis tanto quanto antes (ou seja, não o suficiente); e Paulo Rangel é caso à parte: teve o partido na mão e deu recusa abrupta.

Miguel Pinto Luz foi caso diferente. Nunca seria uma candidatura para ganhar já, mas para marcar espaço, como o próprio Pedro Passos Coelho fez antes de conseguir vencer. Houve trabalho adiantado, e este jornal já o narrou, vários incentivos, públicos e pessoais, e Passos chegou a estar informado da intenção de Pinto Luz avançar.

A bipolarização acelerada da corrida, com a assunção de Rio e o surgimento de Santana, assim como os receios (e algumas invejas) da geração mais jovem, fizeram Miguel Pinto Luz travar, arrumar os planos e adiá-los para dia vindouro.

Este fim-de-semana, no semanário Expresso, em artigo de opinião, o homem que liderou a distrital de Lisboa até o início do verão mostrou um pouco do projeto que propõe para o partido. O conjunto de ideias não vai à disputa das diretas, em dezembro, mas há ainda um congresso para discursar.

No artigo, o social-democrata defendeu a livre-iniciativa, a liberdade de escolha, desconstruiu o argumento da recentralização do partido (a seu ver, falso) e propôs um PSD moderno, “europeísta” e atlântico.

Aos que agora se apresentam como candidatos à liderança (Rui Rio e Santana Lopes), Miguel Pinto Luz, que nunca tendo sido um crítico de Passos também nunca foi um ‘passista’, deixa um aviso: o debate em torno do futuro do país e do partido “exige ideias e protagonistas do nosso tempo”.

“Não discuto idades nem gerações dos protagonistas, um partido não é feito só de mais novos ou de mais velhos, é feito com todos, não pode é ser sempre feito com os mesmos”, atira, no texto. E o facto é que tanto Rio como Pedro Santana Lopes fazem parte dos “mesmos”, do ponto de vista histórico do PSD. Estão cá (ou lá) há mais de vinte anos.

Se a vontade de mudança aí explicitada não serviu para unir a geração em 2017, talvez sirva para dizer que ela ainda aí anda. E pode ser que um dia acorde.  ​