Politica

Bloco abre inquérito contra militantes sob a acusação de "burla"

A denúncia partiu da cabeça-de-lista do BE na freguesia de Benfica, que diz que o coletivo se fez passar “pela campanha oficial do Bloco”

O Bloco de Esquerda (BE) abriu um inquérito contra oito militantes que foram acusados de burla pela cabeça-de-lista de Benfica, Lisboa, nas últimas eleições autárquicas. Em causa está uma participação “não autorizada’ na campanha eleitoral de um conjunto de militantes associados ao grupo Socialismo Revolucionário (SR). Para o SR, esta acusação é uma tentativa de expulsão dos militantes “por [ousarem] exercer o mais tautológico direito de militar quando são militantes do partido”.

Um dos envolvidos é Tomás Nunes, membro da coordenadora concelhia de Lisboa do BE que fez parte do grupo que apoiou a campanha em Benfica e que gerou esta situação. O SR respondeu às questões do i por email dizendo que os membros do grupo “são acusados de ‘burla’ por terem organizado, pública e explicitamente, uma campanha de apoio às candidaturas autárquicas do Bloco de Esquerda financiada com pequenos donativos de trabalhadores e estudantes”.

Na página de Facebook criada como forma de protesto contra a situação, a explicação foi mais pormenorizada: o SR quis apoiar a candidatura do BE em Benfica e requereu à mesa nacional do partido, o órgão máximo entre duas convenções nacionais, a utilização do material oficial da campanha, tendo sido “recusado o uso de qualquer material oficial”.

No entanto, o grupo composto por 14 membros, dos quais oito eram militantes ativos do BE, fez campanha utilizando material próprio identificado como sendo do SR. “Apresentámo-nos como coletivo SR, apelámos ao voto no Bloco, nunca escondemos a filiação de muitos de nós no próprio partido”, pode ler-se na publicação de 9 de novembro.

A denúncia foi feita por Joana Grilo, cabeça-de-lista do BE em Benfica que, na reunião da coordenadora concelhia de Lisboa, acusou o grupo de “burla”, afirmando que se fizeram passar “pela campanha oficial do BE”, venderam “‘livros’ enquanto publicações do BE”, referindo-se ao jornal do grupo “A Centelha”, e angariaram “donativos financeiros que se dirigiam ao partido e não ao coletivo SR”.

Gonçalo Romeiro, membro do coletivo SR, afirmou que “todos os militantes do SR que participaram na campanha, ainda que nunca ocultando a sua filiação no BE, identificaram-se como um coletivo independente que fazia campanha em apoio aos candidatos do BE”, frisando o termo “em apoio”. Contactado pelo i, o BE recusou-se a comentar a situação.

Não é a primeira vez que o BE inicia uma comissão de inquérito a militantes associados ao grupo Socialismo Revolucionário. No final de 2016, o resultado foi a expulsão de seis militantes, entre eles Gonçalo Romeiro, que afirma ter sido uma “expulsão antiestatutária e ilegal”. “Os membros do Socialismo Revolucionário foram acusados de ter entrado coletivamente”, explica Gonçalo, acrescentando que essa acusação “não corresponde à verdade”. Para o organizador nacional do comité executivo do SR, os militantes “foram rapidamente expulsos assim que se revelaram capazes de granjear apoio para as suas ideias entre os jovens de classe trabalhadora do partido”.