Vida

3 de dezembro de 1991. A quarta face do triângulo...

Primeiro foram George Harrison e Pattie Boyd; depois Pattie passou para os braços de Eric Clapton, que a deixou por causa de Lory Del Santo, que viria a ter um caso com Harrison...

3 de dezembro de 1991. A quarta face do triângulo...

Havia algo na sua forma de andar.

Na forma de andar de Pattie Boyd, quero dizer.

“Something in the way she moves”, escreveu George Harrison.

Já Eric Clapton preferiu vê-la de outra forma: “Oh my darling, you were wonderful tonight.”

Harrison, Pattie e Clapton formaram um dos mais badalados triângulos da história da música.
Pattie surgiu na vida de George durante as gravações de “A Hard Day’s Night”, em 1964. Nessa altura vivia com um fotógrafo chamado Eric Swaine. Não seria o único Eric do seu coração. Harrison não esteve com meias-medidas: “Queres casar comigo?”, perguntou-lhe de chofre. “E se não quiseres, jantas comigo hoje?”

Pode ter sido uma tirada apaixonada, mas é muito à Groucho Marx, convenhamos.

Haveria lugar ao casamento.Uns anos mais tarde: no dia 21 de janeiro de 1966, com Paul McCartney de padrinho.
George Harrison e Eric Clapton eram bons amigos. Aliás, de quando em vez, naqueles momentos em que Harrison costumava embirrar com Lennon e McCartney por sentir que não o valorizavam como deviam, Clapton entrava em cena. É dele o solo de guitarra em “Whyle My Guitar Gently Weeps”.

“Something in the way she knows...”

O casamento de George e Pattie durou dez anos. Oficialmente. Entretanto já ele prestava mais atenção à cocaína e ao álcool do que à mulher, e ela, por seu lado, prestava atenção a Ronnie Wood, guitarrista dos Faces.

Os guitarristas seriam inevitáveis na sua vida.

Quando Harrison resolveu cair na cama de Maureen, a companheira do seu baterista Ringo Starr, já Pattie Boyd sucumbira aos encantos de Eric Clapton.

Parece que George levou a coisa a peito.

Eric já tinha escrito “Layla” e sujeitara-se a uma cura para o vício da heroína.

“Layla,/ You’ve got me on my knees, Layla./ I’m begging, darling please, Layla./ Darling won’t you ease my worried mind”, cantava o infeliz Clapton.

Layla era Pattie.

Casaram-se em 1979.

Pattie gostava de beber. Mas não se sentia atraída por drogas como Eric.

Não demorou muito para que Eric Clapton encontrasse outra musa: Lory Del Santo, uma atriz e modelo italiana.

Dedicou-lhe uma canção,“Lady Verona”, e teve um filho dela, Conor, em 1986, esse mesmo que caiu de um 53.o andar, em Manhattan, e ficaria para sempre recordado em “Tears in Heaven”.

Vinte anos mais tarde, Lory escreveu uma biografia: “Piacere è una sfida”.

Foi aí que confessou ter-se tornado uma espécie de quarta face do triângulo formado por George, Pattie e Eric.

O episódio ganhou foros de vingança.

Em Hiroxima, no Japão, George Harrison e Eric Clapton tocaram juntos no decorrer de uma digressão. Del Santo estava lá, nesse mês de dezembro de 1991. Durante três dias fechou-se na suíte de luxo que George reservara no Sun Plaza Hotel.

Lory não chega ao ponto de descrever pormenores picantes sobre essas 72 horas mágicas. Mas revelaria, numa entrevista à jornalista Daphne Barak: “Foi fantástico... Tínhamos tanto para falar um com o outro. Nunca esquecerei esses dias. Foram extremamente privados... Muito especiais. Ele perguntou-me muitas coisas sobre Eric. Precisava disso. Foi muito carinhoso. Não se tratou apenas de sexo.”

E acrescentou: “Talvez tenha havido em ambos uma certa revolta, uma certa necessidade de vingança. Eu estava muito magoada com Eric. Depois da morte de Conor, deixou de falar, meteu-se para dentro. George ainda não tinha ultrapassado completamente o facto de Eric ter ficado com Pattie.”

Clapton passou ao lado do caso.

Fechado no quarto a maior parte do tempo, não tinha paciência nem para Lory nem para George.

“Não estivemos propriamente a fazer as coisas nas costas dele”, revelou Lory. “Mas ele estava demasiado fechado e eu não lhe contei nada porque estava a ser um momento único para mim. Quando me despedi de George, percebemos os dois que não voltaríamos a estar juntos. Ele limitou-se a dizer: ‘Hope I’ll see you...’ E seguimos o nosso caminho.”
George poderia ter cantado: “I feel wonderful because I see/ The love light in your eyes...” Mas essa era a deixa de Eric Clapton para Pattie Boyd.

“And all I have to do is think of her”, poderia ter cantado Eric, se George não o fizesse primeiro.

Algo não se pode desmentir: Pattie e Lory estiveram em boas mãos...

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