Politica

“Porreiro, pá?” PS excluiu Sócrates do 10.º aniversário do Tratado de Lisboa

Dez anos depois do desabafo de José Sócrates para um microfone por desligar – “porreiro, pá!” –, o mundo e a Europa mudaram. Hoje, com algum cuidado, relembra-se esse tempo sem o ex-governante

A Assembleia da República celebra hoje o décimo aniversário da assinatura do Tratado de Lisboa com os seus protagonistas e o Partido Socialista não propôs endereçar um convite ao seu líder de então, José Sócrates. A sessão contará com os nomes de Luís Amado (então ministro dos Negócios Estrangeiros) e Paulo de Almeida Sande (então representante do Parlamento Europeu em Portugal), sendo a jornalista Luísa Meireles a moderadora da sessão.
Os nomes, ao que o i apurou, obtiveram consenso interpartidário na comissão parlamentar dos Assuntos Europeus, tendo o PSD inicialmente proposto José Manuel Durão Barroso (ex-primeiro-ministro social-democrata e antigo presidente da Comissão Europeia), que não pode estar presente por compromisso internacional. 

Não tão porreiro, pá 

O outro protagonista português do Tratado de Lisboa, assinado a 13 de dezembro de 2007, foi José Sócrates, chefe do governo socialista que então presidia ao Conselho Europeu – na altura, função semestralmente rotativa entre Estados-membros. 

A frase “porreiro, pá!”, com que celebrara com Durão Barroso a conclusão do documento, inconsciente de estar a falar para um microfone ligado, tornou--se popular não só no mundo político, mas também em anúncios televisivos e programas de comédia.

Sócrates, desde a última década acusado de uma série de crimes alegadamente cometidos durante o seu tempo enquanto primeiro-ministro, aguarda julgamento, sabendo o i que o seu nome nunca chegou a ser uma hipótese real nos convites ponderados pelos partidos da Comissão dos Assuntos Europeus.

O Tratado de Lisboa, que entrou em vigor em 2009 (a Irlanda levou-o duas vezes a referendo, só passando à segunda), estabeleceu o cargo de presidente (não rotativo) do Conselho Europeu, hoje exercido pelo polaco Donald Tusk, entre outras importantes reformas internas da União Europeia, como o alargamento dos poderes do Parlamento Europeu, a constituição de uma personalidade jurídica europeia (até àquela altura inexistente) e a criação do cargo de responsável pela Política Externa e Negócios Estrangeiros, hoje desempenhado pela italiana Federica Mogherini.