Economia

Autoeuropa. Sindicato “ameaça” com nova greve

A “guerra” na Autoeuropa já entrou na esfera política com Assunção Cristas a desafiar o governo para “chamar à razão” o PCP e o BE 

Um dos sindicatos de trabalhadores da Autoeuropa, o SITE-Sul, já veio garantir que não aceita a mudança de horários imposta pela administração da fábrica de Palmela a partir de janeiro, altura em que estão previstos 17 turnos semanais – onde estão incluídos os sábados – e pede que a negociação continue. Aos trabalhadores deixa um apelo: “Que fortaleçam a unidade expressa na greve de 30 de agosto, para continuar a exigir da administração que a negociação continue e se encontre uma solução que ultrapasse o conflito”, revelou.

O sindicato já esteve reunido com a administração e transmitiu que o “novo modelo de horário, a aplicar entre o final de janeiro e o início de agosto do próximo ano, é em alguns aspetos mais desfavorável nas regras, tal como é insuficiente nas contrapartidas financeiras”.

A administração compromete-se em pagar um prémio adicional de 100% sobre cada sábado trabalhado (pagamento mensal) e um prémio adicional de 25% sobre os sábados trabalhados no trimestre, de acordo com o cumprimento do volume planeado para o trimestre (pagamento trimestral). 

Para o sindicato, a confirmar-se a aplicação daquele regime de forma unilateral, a administração estaria “a assumir que coloca em causa o diálogo social que tanto apregoa; estaria igualmente a não considerar o ambiente de descontentamento existente na fábrica e a optar pela arrogância e a imposição, em substituição da negociação”.
Também ontem a Comissão de Trabalhadores (CT) tinha mostrado o seu desagrado em relação à imposição de horários por parte da fábrica ao alegar que “este modelo de horário e as suas condições são mais desfavoráveis e contrariam a vontade expressa pela maioria dos trabalhadores” e defende também que seja retomado o processo negocial. Para já, está convocado um plenário para o próximo dia 20 de dezembro. 

Partidos reagem A “guerra” entre a administração da Autoeuropa e os trabalhadores já entrou na esfera política com a líder do CDS a desafiar o governo a “chamar à razão” os partidos que apoiam o executivo. 

Assunção Cristas acusa o PCP e o BE de estarem “por detrás da teia de dificuldade” nas negociações entre trabalhadores e administração da empresa. “O governo, que além do mais se senta à mesa das negociações com os seus parceiros – PCP e BE –, já devia ter falado com estes partidos, que estão por detrás da teia de dificuldade que está montada na Autoeuropa, e já os devia ter chamado à razão”, diz,

Também ontem Vieira da Silva lembrou a importância da fábrica de Palmela para o país, dizendo ainda que espera que “todas as partes envolvidas estejam conscientes do que está em causa”. O ministro do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, a Autoeuropa chamou ainda a atenção para o facto da Autoeuropa estar numa fase de desenvolvimento. Foi a pensar nisso que convocou uma reunião com as duas partes para a próxima sexta-feira. Isto, numa altura, em que se fala dos riscos cada vez maiores de deslocalizar de parte da produção para fábricas com menor volume de trabalho, nomeadamente alemãs.