Economia

Autoeuropa entrega cartas com novos horários. Nova greve no ar

Documento tem de ser assinado mesmo que não concordem. Trabalhadores estão a ponderar repetir a greve de 30 de agosto

Os trabalhadores da Autoeuropa afetados pelos novos horários de trabalho estão a receber uma carta da administração sobre essas alterações a implementar a partir do dia 29 de janeiro. Ao que o i apurou, essas cartas são entregues pelos team-leaders de cada equipa, em que o original tem de ser assinado e entregue ao mesmo para que seja enviado ao departamento de recursos humanos e a cópia fica para o trabalhador. O i sabe que todas estas cartas têm de ser assinadas, mesmo que o trabalhador não concorde com os novos horários de trabalho, mas há quem deixe a ressalva que “tomou conhecimento mas não aceita”.

Esta informação foi entregue na véspera da realização de mais um plenário com os trabalhadores convocado pela Comissão de Trabalhadores (CT). No entanto, ao contrário do que tem acontecido nos encontros anteriores, desta vez o plenário não será geral, mas sim repartido por departamentos com a duração de uma hora.

Em causa está a decisão unilateral da Autoeuropa em aplicar o novo horário a partir de janeiro com a implementação de 17 turnos semanais, onde estão incluídos os sábados. A administração compromete-se em pagar um prémio adicional de 100% sobre cada sábado trabalhado (pagamento mensal) e um prémio adicional de 25% sobre os sábados trabalhados no trimestre, de acordo com o cumprimento do volume planeado para o trimestre (pagamento trimestral).

Greve em agenda Ao que o i apurou, os trabalhadores poderão sair do encontro de hoje com a ideia de convocar uma nova greve na fábrica de Palmela, seguindo o exemplo do que aconteceu a 30 de agosto. Uma paralisação histórica na fábrica de Palmela e que impediu a produção de 400 veículos.

A verdade é que esta “ameaça” não é nova. Um dos sindicatos de trabalhadores da Autoeuropa, o SITE-Sul, afirmou na semana passada que não aceitava a mudança de horários imposta pela administração da fábrica de Palmela a partir de janeiro, altura em que estão previstos 17 turnos semanais – onde estão incluídos os sábados. Aos trabalhadores deixou um apelo: “Que fortaleçam a unidade expressa na greve de 30 de agosto, para continuar a exigir da administração que a negociação continue e se encontre uma solução que ultrapasse o conflito”, revelou.

Mas enquanto se assiste a este impasse, a fábrica de Palmela vê-se obrigada a interromper a produção durante quatro dias, por falta de peças “críticas”. Esta interrupção vai decorrer entre os dias 26 e 29 de dezembro. A Autoeuropa já se tinha confrontado com a falta de peças para a produção do T-Roc na semana passada. De acordo com a empresa, como a Volkswagen está a lançar muitos novos modelos, esta situação provocou uma quebra no stock dos fornecedores. Um argumento bem distinto dos trabalhadores. “Os fornecedores escolhidos foram os mais baratos. Nós, trabalhadores, alertámos que seria problemático. A administração assim não o entendeu. Aqui está o resultado: o que é barato sai caro”, revelaram.