Economia

Autoeuropa. Comissão de Trabalhadores quer creche 24 horas por dia

Caderno reinividicativo quer que a fábrica de Palmela se comprometa a não fazer nenhum despedimento coletivo até 31 de dezembro de 2019

A existência de uma creche a funcionar 24 horas por dia é uma das soluções encontradas pela Comissão de Trabalhadores (CT) da Autoeuropa para minimizar as alterações dos novos horários de trabalho, especialmente quando a fábrica de Palmela começar a funcionar de forma contínua, ou seja, a partir de agosto. Esta proposta foi apresentada pela CT no plenário realizado ontem para “defender as necessidades dos trabalhadores”, apurou o i.

O responsável pela CT, Fernando Gonçalves, garantiu ainda aos trabalhadores que neste momento há duas creches na zona interessadas em funcionar com estes moldes, sem adiantar quem é que iria pagar esta prestação de serviços, soube o i. 

A verdade é que esta solução vai ao encontro das declarações feitas pelo ministro Vieira da Silva, na sexta-feira passada, após reunião entre Comissão de Trabalhadores e administração da Autoeuropa, ao assumir que o “governo assumirá as suas responsabilidades, que podem ser concretizadas com um envolvimento mais forte no que toca ao reforço da criação de equipamentos sociais de apoio à família que responda a um novo quadro horário, por exemplo”.

Aumentos salariais 

Outra proposta presente no caderno reivindicativo da CT é o aumento salarial de 6,5% com um mínimo de 50 euros com efeitos retroativos desde outubro deste ano até ao final de setembro de 2018. Para a Comissão de Trabalhadores, a subida salarial enquadra-se numa conjuntura de recuperação do poder de compra a nível nacional e na perspetiva de um significativo aumento da produção na unidade de Palmela, o que também irá permitir o crescimento do emprego.

Além disso, esta estrutura quer que todos os trabalhadores que a 1 de janeiro estejam com contrato a termo há mais de 12 meses passem imediatamente a efetivos e defende uma redução do prazo para a promoção de carreiras.  Por outro lado, a empresa deverá comprometer-se a não fazer qualquer despedimento colectivo até 31 de dezembro de 2019.

Margem de negociação 

Fernando Gonçalves admitiu também aos trabalhadores estar surpreendido com a pouca disponibilidade por parte da administração nas negociações ocorridas no início desta semana. De acordo com o coordenador da CT, a administração da Autoeuropa deu como adquirida a implementação do novo horário de trabalho a partir de janeiro, mostrando-se apenas disponível para negociar o novo modelo laboral a partir de agosto, confirmando o que tem vindo a ser avançado pelo i. 
Ainda assim, o presidente da Comissão de Trabalhadores prometeu nos vários plenários que irá continuar a negociar com a administração, garantindo que “tudo se pode alterar” até 29 de janeiro, altura em que vão ser implementados os 17 turnos semanais, onde estão incluídos os sábados.

Recorde-se que,ainda esta semana, os team-leaders entregaram a todos os funcionários abrangidos pelos novos horários uma carta a transmitir essas alterações. Estas cartas tiveram de ser assinadas, mesmo que os trabalhadores não concordem com os novos horários de trabalho, mas houve quem deixasse a ressalva que “tomou conhecimento mas não aceita”.

Em causa está a decisão unilateral da Autoeuropa em aplicar o novo horário a partir de janeiro, com a implementação de 17 turnos semanais, onde estão incluídos os sábados. A administração compromete-se em pagar um prémio adicional de 100% sobre cada sábado trabalhado (pagamento mensal) e um prémio adicional de 25% sobre os sábados trabalhados no trimestre, de acordo com o cumprimento do volume planeado para o trimestre (pagamento trimestral).