Sociedade

Sociedade europeia atribui prémio de 400 mil euros a investigadores

Os investigadores da Universidade de Coimbra realizaram um estudo clínico piloto sobre cataratas. Mais de 60 candidaturas de 26 países disputaram o prémio

A Sociedade Europeia de Catarata e Cirurgia Refrativa (ESCRS, na sigla em inglês) destinguiu com um prémio no valor de 400 mil euros um estudo sobre a doença desenvolvido por investigadores da Universidade de Coimbra. 

O projeto de investigação, intitulado Neuroadaptation after Cataract and Refractive Sugery Study, foi o vencedor entre mais de 60 candidaturas de 26 países. O estudo clínico piloto debruçava-se sobre a ligação entre sintomas relacionados com a luz e as caraterísticas funcionais do cérebro humano em doentes operados e implantados com lentes multifocais. Para tal, os investigadores utilizaram a ressonância magnética para apurar esta ligação. 

Com este financiamento, a equipa de investigadores começará já em janeiro a trabalhar num novo estudo para aprofundar os conhecimentos que permitam uma melhor seleção da lente a implantar na cirgurgia de catarata a cada paciente, para além de desenvolver novas lentes e estratégicas terapêuticas que melhorem a adaptação do paciente. 

Segundo Andreia Martins Rosa, investigadora no projeto, o estudo irá "comparar diferentes tipos de lentes multifocais, para descobrir as caraterísticas das lentes que causam menos disfotópsias (encadeamento, brilho ocular, riscos estrelados) e estão associadas a maior qualidade visual".

As intervenções cirúrgicas às cataratas são das mais frequentes na Europa. Segundo um estudo do Eurostat, em 2015, de quando datam os números mais recentes, 4,3 mil milhões de europeus com residência em Estados-membros da União Europeia foram operados às cataratas. Portugal não se destaca pela positiva ou negativa entre os seus congéneres europeus, como Alemanha, Suécia, França, Áustria. Nesse mesmo ano, 1300 pessoas por cada 100 mil habitantes foram operadas às cataratas. 

A doença é caraterizada como natural da idade e um produto do aumento da esperança média de vida nas últimas décadas, o que explica o seu aumento e as consequentes operações cirúrgicas. As operações também passaram a ser realizadas numa fase inicial da doença, quando no passado apenas ocorria quando esta já se encontrava madura.