Desporto

Rio Ave. MP confirma quatro arguidos por viciação de resultados

Em causa estão “suspeitas da prática do crime de corrupção na atividade desportiva” no jogo entre o Feirense e o Rio Ave, disputado na época passada. E já há nomes

O Ministério Público (MP) confirmou ontem a existência de quatro arguidos no âmbito da investigação ao jogo entre o Feirense e o Rio Ave, da Liga NOS. Segundo esclareceu o MP, em causa estão “suspeitas da prática do crime de corrupção na atividade desportiva”. O comunicado chegou um dia depois de a SIC ter avançado informações sobre a investigação da Polícia Judiciária relacionada com a viciação de resultados. A mesma estação de televisão revelou ontem os nomes dos suspeitos: Cássio, Roderick Miranda, Marcelo e Nadjack.

“Este inquérito, instaurado no Ministério Público de Santa Maria da Feira e recentemente remetido ao DIAP distrital do Porto, tem quatro arguidos constituídos”, detalhou, adiantando que “nesta investigação, o Ministério Público é coadjuvado pela Polícia Judiciária”. De resto, “o inquérito encontra-se em segredo de justiça”, pode ler-se.

Recorde-se que as apostas relativas ao jogo entre Feirense e Rio Ave, relativo à 20.ª jornada da Liga da época passada, foram suspensas por suspeitas de resultado combinado, após um “fluxo anormal de apostas” na derrota do emblema de Vila do Conde e “o risco financeiro envolvido”. Na altura, uma das maiores dúvidas, que nunca chegou a ser confirmada, teve a ver com uma aposta de 100 mil euros proveniente da China.

Segundo a investigação levada a cabo pela estação de televisão de Carnaxide, os jogadores foram aliciados para perder aquele encontro.

“Jogo duplo” Este não é o primeiro caso relacionado com suspeitas de viciação de resultados no futebol. Na época passada, as alegadas combinações deram nome a um processo que ficou conhecido como “Jogo Duplo”. Nele, vários jogadores, treinadores e dirigentes do Oliveirense, Oriental, Penafiel e Adémica de Viseu acabaram detidos para interrogatório pela Polícia Judiciária após terminar a última jornada da II Liga. Todos por suspeitas de subornos num esquema de apostas desportivas online com origem na Ásia.

Em dezembro do ano passado, os jogadores Ansumane Mané, Pedro Oliveira, João Carela e Hugo Moedas, do Oliveirense, e Rafael Veloso e André Almeida, do Oriental, ficaram impedidos de competir a nível oficial por decisão do Tribunal da Relação de Lisboa (TRL), cujos juízes-desembargadores consideraram existir perigo de continuação da atividade criminosa.

Segundo o despacho de acusação do Ministério Público (MP), entre agosto de 2015 e 14 de maio de 2016, os 27 arguidos envolvidos no processo “constituíram um grupo dirigido à manipulação de resultados de jogos das I e II ligas de futebol (’match-fixing’) para efeito de apostas desportivas internacionais”, através de “um esquema de apostas fraudulentas de caráter transnacional”. O julgamento relacionado com este processo arranca no próximo dia 25 de janeiro, no Campus da Justiça, em Lisboa.

As reações O Rio Ave e a Liga Portugal foram lestos a reagir à notícia avançada pela SIC.

Ainda durante o dia de ontem, o clube comandado por Miguel Cardoso emitiu um comunicado em que se mostrou “espantado” e “indignado” com o sucedido. Na nota publicada no seu site oficial, o clube vila-condense adiantou que “todos os elementos notificados pertencentes aos quadros do Rio Ave prestaram toda a colaboração solicitada há seis meses atrás”.

A concluir o comunicado, o clube nortenho salienta o “orgulho de ter nos seus quadros atletas e profissionais íntegros e competentes, acima de qualquer suspeita, que diariamente são, como é do reconhecimento público, excelentes agentes promotores do desporto e do futebol em Portugal, bem como exemplos de cidadania”.

Por sua vez, a Liga de clubes de futebol manifestou “total confiança” no clube verde e branco, adiantando que pediu a “oportuna intervenção como assistente, razão pela qual irá continuar a aguardar tranquilamente o desenrolar do mesmo”. “A Liga jamais irá imiscuir-se naquilo que diz respeito aos órgãos de Polícia Criminal e aos órgãos de disciplina desportiva”, garantiu a instituição num comunicado enviado às redações.

Também o Sindicato dos Jogadores reagiu às notícias sobre este caso.

Em comunicado enviado às redações, o Sindicato dos Jogadores reforçou o facto de a manipulação de resultados representar uma ameaça séria à integridade das competições. 

O organismo lembra que existem fatores de risco que potenciam as abordagens a jogadores para manipular resultados, entre os quais o incumprimento salarial. 

“Ainda que não seja apenas a carência económica que motiva a prática destes ilícitos, o Sindicato salienta o comportamento exemplar do Rio Ave FC enquanto entidade empregadora, relativamente ao cumprimento dessas obrigações”, pode ler-se na mesma nota. 

Por último, o Sindicato reitera “tolerância zero a este fenómeno e exige a todos os agentes desportivos um dever de cidadania desportiva ativa, na defesa do futebol e do desporto”.