Economia

TAP continua longe das mãos do governo

Fernando Pinto faz balanço positivo da gestão que tem sido feita nos últimos anos, mas companhia inicia 2018 com problemas antigos, nomeadamente a guerra do pessoal de bordo.

A possibilidade de Fernando Pinto estar cada vez mais próximo de passar o testemunho tem vindo a ganhar eco. Há 17 anos na administração da transportadora portuguesa, o CEO da transportadora garantiu, em jeito de balanço, que «a TAP hoje é três vezes maior» do que quando chegou ao comando da companhia portuguesa.  

No entanto, a verdade é que, mesmo com o novo ano à porta, não haverá vida nova na companhia. Ainda que sejam muitas as novidades para 2018, existem problemas que continuarão por resolver e serão grandes desafios do próximo ano. Um dele tem a ver a guerra com do pessoal de bordo. 

A TAP denunciou o Acordo de Empresa com o pessoal de bordo em novembro deste ano. Um dos objetivos é conseguir contratar tripulantes temporários. Mas o sindicato que representa o pessoal de cabine (SNPVAC) é firme quanto à necessidade de ver e discutir a proposta ao detalhe. Num impasse, e ainda sem uma data para a primeira reunião de negociações, o gabinete do ministro do Planeamento e das Infraestruturas explica que «lamenta que o processo negocial tenha redundado neste ato associado ao processo de denúncia, e espera que sejam criadas as condições para que o mesmo não venha a produzir plenos efeitos jurídicos no futuro». Além disso, por ter sido uma decisão da TAP, «qualquer intervenção do Governo só poderá ser no sentido da mediação e de procurar encontrar uma solução que evite a denúncia do acordo de empresa». 

A TAP pretende fazer alterações ao Acordo de Empresa (AE) que tem com o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC). De acordo com o presidente executivo da companhia aérea, Fernando Pinto, o motivo é simples: «Não tem condições para ser mantido nos termos atuais» porque «muitas das regras estão desajustadas face à realidade» e outras «são utilizadas de forma abusiva por alguns, com prejuízo de todos».

As alterações foram propostas ao sindicato e passam por mudanças como «a adequação das especificações e garantias decorrentes do descanso a bordo à realidade atual, a flexibilização da realização de voos, ajustando o conceito de serviço noturno, permitindo aumentar as opções de cada um no que respeita às suas necessidades e estilos de vida, o aumento do número total de folgas, flexibilizando a sua distribuição e tornar definitiva a recente possibilidade, implementada a título excecional e em fase de avaliação, de se poder fazer pedidos nas datas festivas».

O sindicato dos tripulantes tem estado a examinar as questões colocadas pela companhia aérea e tem agora que fazer uma contraproposta à empresa liderada por Fernando Pinto. No entanto, de acordo com Luciana Passo, o SNPVAC não concorda «com a gestão que está a ser feita», até porque «os passageiros da TAP têm sido penalizadíssimos, mas não seremos nós que vamos criar problemas, muito menos com esta abertura do Estado para cumprir os acordos». 

Ainda assim, Fernando Pinto garante que o caminho da companhia passa por olhar para a frente, nomeadamente, para os pilares que estão pensados para o próximo ano: «A previsão é continuar a crescer, mas a um ritmo menor – este ano foi o maior das empresas europeias. Antevemos um crescimento na faixa dos 8%. Para isso vão contribuir os novos aviões, que começamos a receber – estamos com a mais recente tecnologia em eficiência e conforto».

No entanto, nem todos acreditam que Fernando Pinto fique muito mais tempo à frente da companhia. O CEO entrou para a TAP em outubro de 2000. Objetivo? Preparar a empresa para a privatização. Depois disso, foram necessários dez anos para o presidente da companhia aérea nacional fazer saber que tinha informado o Governo de que pretendia deixar a liderança da transportadora. No entanto, ainda não tinha, afinal, chegado a hora. E manteve-se.

Agora, são cada vez mais os sinais na companhia nacional de que desta vez é que é: Fernando Pinto poderá estar finalmente muito perto de sair. O próprio CEO da empresa fez saber, em junho deste ano, que cumpriu «a missão» que o trouxe a Portugal. Quando questionado sobre o seu futuro na nova administração, Fernando Pinto deixou claro que o cargo de CEO «depende totalmente dos acionistas». Recorde-se que Miguel Frasquilho, ex-presidente do AICEP, foi anunciado como novo presidente do Conselho de Administração e como vogais ficaram Lacerda Machado e Ana Pinho. Mas, entretanto, entrou também para o conselho de administração o ex-CEO da Azul Antonoalvo Neves, que todos apontam como preferido dos acionistas (é homem de confiança de Neeleman) para suceder a Pinto como presidente executivo. 

Novas estratégias

A TAP anunciou que vai ter quatro novos destinos a partir do Porto já em 2018. A transportadora passará a ter dois voos, para Barcelona, Espanha, e para Milão, Itália. Já para Londres, no Reino Unido, e Ponta Delgada, nos Açores, haverá uma ligação por dia. De acordo com Fernando Pinto, presidente da companhia, trata-se de uma «prenda» e de uma forma de contribuir para  «para o desenvolvimento da cidade, um polo muito importante».

Além das novas rotas, a TAP vai também receber novos aviões: seis, nas palavras do CEO. Para que possa ser possível apostar em novos voos da companhia, nomeadamente, «começar a operação para Florença, a partir de 10 de junho. Serão cinco voos por semana entre Lisboa e Florença. É uma rota muito solicitada, um destino de extremo interesse para o turismo, mas também pelo interesse no tráfego de negócios».

A TAP passará ainda a voar para Nouakchott, na Mauritânia, a partir do aeroporto de Lisboa. A ideia é crescer nas ligações ao continente africano. «É mais uma rota em África, onde temos crescido muito. No início falava-se muito no crescimento da TAP no Brasil, depois no crescimento nos Estados Unidos, mas o crescimento e a dedicação da TAP às rotas de África é muito grande», explicou o CEO.

Para O CEO, o negócio da aviação da TAP deverá apresentar resultados líquidos positivos este ano: «É o sucesso de uma estratégia de crescimento em todos os mercados. Em alguns anos chegámos a crescer 10% em número de passageiros, mas 20% é algo incrível».