Economia

Plataformas de transportes. Taxify entra no mercado, Uber tem novo concorrente

Há cada vez mais operadoras a funcionarem no mercado português, apesar de continuar a não existir uma regulamentação para esta atividade  

 Começa hoje a funcionar uma nova plataforma eletrónica de transporte. Trata-se da Taxify, a nova concorrente da Uber e da Cabify. Isto numa altura em que a atividade continua a não estar regulada e conta apenas com a promessa do Partido Socialista que “tudo fará” para concluir a regulamentação no próximo mês de fevereiro, após ter sofrido vários meses de impasse.

Para já, a Taxify acena com uma forte campanha de descontos. Pelo menos até ao final do mês a plataforma oferece 50% de descontos na viagem, mas promete manter uma política de preços baixos. “Nesta primeira fase, estamos a lançar um bónus de 50% nas viagens. Mas este bónus não afeta os motoristas porque vão receber a comissão como se o preço fosse normal. A ideia de descontos para os clientes é uma ideia que vamos manter a longo prazo”, refere ao i David Ferreira da Silva, country manager da operação em Portugal.

Face a estes descontos o responsável acredita que a adesão vai ser grande. “Um desconto de 50% é muito bom para o utilizador. Se fizer uma viagem todos os dias de 10 euros, nesta fase vai pagar apenas cinco euros. O investimento é da Taxify, já que o motorista continua a receber o valor total”, revela ao i. 

Nesta fase de arranque, a operação está limitada à capital, apesar dos motoristas poderem aceitar viagens para a grande Lisboa. Mas a ideia, de acordo com David Ferreira da Silva, “é expandir a atividade para outras cidades do país”. 

O preço inicial da viagem é de um euro e a esse valor é acrescido de 0,75 cêntimos por quilómetro e 10 cêntimos por minuto. Neste momento a Taxify conta com 600 motoristas, mas admite que tem mais de dois mil registados para quando for necessário alargar a oferta.

Dividir tarifas na Uber Presente em Lisboa, no Porto e Algarve, a Uber conta com mais de cinco mil motoristas a operarem no mercado nacional. A empresa não revelou o número de viagens que faz em Portugal, remetendo para os dados a nível global: quatro mil milhões de viagens completa realizadas no ano passado, o que dá uma média de 15 milhões por dia, revelou a empresa ao i.

Os preços praticados variam consoante a opção escolhida pelo utilizador: Uberx (um euro base, 0,10 cêntimos por minuto e 0,65 por quilómetro) ou Uberblack (dois euros base, 0,30 cêntimos por minuto e 1,10 euros por quilómetro). No entanto, estes valores poderão aumentar temporariamente em momentos de maior procura (tarifa dinâmica). Mas a plataforma deixa uma garantia: “Sempre que tal acontecer, será devidamente informado diretamente na aplicação antes de fazer um pedido de viagem, e terá de aceitar explicitamente o preço mais elevado antes de viajar”. 
Um dos truques que são usados pelos clientes para reduzir os preços passa por dividir o preço da viagem. Para isso, o utilizar quando estiver a requisitar a viagem terá de carregar na opção “dividir tarifa”.

Outra das funcionalidades desta plataforma é a possibilidade de fazer agendamentos, mas está apenas disponível para viagens em Lisboa e no Porto.  Na prática, este agendamento prévio permite reservar e marcar com antecedência de 15 minutos a 30 dias o trajeto que se pretende fazer.

Cabify baixa preços Desde o início deste ano a plataforma de transporte otimizou os seus preços e as viagem são, em média, 15% mais económicas para os utilizadores, sendo a tarifa mínima no valor de três euros.  
A Cabify conta atualmente com mais de 160 mil utilizadores, “os quais recorrem aos nossos serviços todos os dias para se deslocarem para o emprego, para reuniões - as contas corporativas representam uma grande fatia do negócio em Portugal - e para os seus momentos de lazer”, diz a empresa ao i.

Para este ano, a plataforma pretende consolidar o seu serviço nas cidades de Lisboa e Porto. E no caso da capital pretende alargar o seu raio de ação para disponibilizar um Cabify nas zonas limítrofes da cidade, “onde existem maiores dificuldades de mobilidade, nomeadamente no que toca ao acesso à oferta de transporte públicos”.

A empresa não quis revelar o número de motoristas que prestam serviço, mas admite que ao crescer em termos de número de utilizadores essa tendência terá de ser acompanhada com a entrada de mais motoristas. “O mercado em Portugal tem um enorme potencial e acreditamos que, ao crescermos no número de utilizadores, teremos de acompanhar esse crescimento com a entrada de mais motoristas, aliás, esperamos triplicar o número de motoristas até ao final do ano”, conclui.