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Ritz-Carlton de Riade vai deixar de ser prisão de luxo

O site do hotel aceita reservas a partir de 14 de fevereiro

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A prisão mais luxuosa do mundo vai voltar a ser, a partir do dia 14 de fevereiro, um hotel de cinco estrelas para visitantes endinheirados da capital da Arábia Saudita. O Ritz-Carlton de Riade foi usado pelo príncipe regente, Mohammed bin Salman, para manter detidos desde novembro uma série de membros da casa real e outros numa ação radical contra a corrupção endémica entre a elite saudita.

Alguns permanecem detidos (no princípio de dezembro, última informação divulgada, ainda havia 159 no hotel), outros mantêm-se em prisão domiciliária ou estão proibidos de viajar. Outros ainda permanecem fora do país, impedidos de regressar. O combate à corrupção tem como grande objetivo a alegada recuperação de 100 mil milhões de dólares de dinheiro público que foi engordar o bolso dos mais ricos.

Bin Salman, de 32 anos, quer transformar a sociedade saudita, trazê-la de um presente ultraconservador e feudal para o mundo moderno, transformá-lo e fazê-lo evoluir de uma monarquia quase exclusivamente do petróleo para uma nação que consiga enfrentar os desafios pós-hidrocarbonetos.

“O príncipe Mohammed corre o risco de que os que estiveram detidos procurem unir-se em pequenos grupos para minar mais reformas e a sua liderança”, disse à Bloomberg Theodore Karasik, consultor sénior da Gulf State Analytics.

Entre alguns dos que tiveram de permanecer à força num dos 492 quartos do Ritz-Carlton há, com certeza, aqueles para quem a humilhação não será tão depressa esquecida. Foram estabelecidos acordos financeiros em troca da liberdade e nenhum dos príncipes (ou outros) viram os seus crimes divulgados. Mas, mesmo que aparentemente tenham jurado fidelidade ao herdeiro do trono, a vingança estará a remoer na mente de alguns.