Cultura

Fátima Lopes: “Acho que não se deve radicalizar e pôr tudo e todos dentro do mesmo saco”

Desde a publicação da já chamada carta de Deneuve no “Le Monde” que o consenso inicial em torno do tema do assédio parece desfeito. Partindo desta ideia, o i  fez duas perguntas:

1. Qual é para si a fronteira entre sedução e assédio?

 2. Qual a sua posição em relação à carta aberta subscrita por Catherine Deneuve e os contornos que está a ganhar o movimento #MeToo?

Fátima Lopes, estilista 

1. A fronteira entre a sedução e o assédio é o consentimento. Sedução é um jogo entre duas pessoas que partilham as mesmas vontades e desejos. O assédio é unilateral, é irracional, muitas vezes, usado como uma tomada de poder que ataca e ofende a dignidade do mais fraco.

2. Acho que é necessário haver alguma prudência e, sobretudo, garantir a verdade e os direitos de todos os lados. Evidentemente o assédio é condenável e concordo com o movimento #metoo, sobretudo, porque se tornou uma chamada de atenção para o mundo e um grito de que não mais será tolerado e permitido. É, sobretudo, importante porque veio dar voz a quem não a tem e, muitas vezes, não tem capacidade para se defender. No entanto, acho que não se deve radicalizar e pôr tudo e todos dentro do mesmo saco, pode abrir portas a injustiças e condenações antes dos próprios julgamentos.