Sociedade

Justiça. Buscas da PJ não foram no gabinete de Mário Centeno

MP diz que ainda não há arguidos na investigação em curso por suspeita de recebimento indevido

As buscas realizadas pela PJ, na passada sexta-feira, no Ministério das Finanças não foram no gabinete de Mário Centeno, confirmou ao i fonte oficial do Ministério Público. “As buscas foram no Ministério das Finanças, não no gabinete de trabalho do ministro.” Sem entrar em detalhes, a mesma fonte disse ainda que durante a ação foram recolhidos documentos e que está em curso um inquérito no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP), não havendo, para já, “arguidos constituídos”.

De acordo com a “Sábado”, as buscas estarão relacionadas com o alegado envolvimento de Mário Centeno na aceleração de um processo de isenção de IMI ao filho de Luís Filipe Vieira. Em causa estará um imóvel adquirido por uma sociedade dos filhos de Luís Filipe Vieira, a Realitatis – Investimentos Imobiliários, cujo processo de isenção de IMI estava pendente desde novembro de 2016. O pedido de isenção do pagamento do IMI é dirigido à autarquia, mas tem de ser validado pela Autoridade Tributária, tutelada pelo Ministério das Finanças.

E a aceleração deste processo estará alegadamente relacionada com um pedido de bilhetes para assistir a um jogo de futebol. O “Observador” avançou em janeiro que o ministro das Finanças tinha pedido um bilhete para si e outro para o seu filho, na bancada presidencial, para o jogo Benfica-Porto que foi disputado a 1 de abril de 2017. O pedido foi justificado por razões de segurança.

Será este alegado envolvimento do ministro das Finanças que o Ministério Público estará a investigar, estando em causa a suspeita de recebimento indevido. Além disso, de acordo com a “Sábado”, os investigadores querem ainda saber se Luís Filipe Vieira “apenas meteu uma cunha para apressar um processo de isenção de IMI relativo a uma empresa do filho ou se o caso pode envolver crimes”.

O Ministério das Finanças já fez saber que vai colaborar “de forma franca” e que põe “à disposição das autoridades judiciárias todos os elementos solicitados”.