Internacional

Catalunha. Independentistas presos procuram ajuda da ONU

Os três detidos dizem que o governo está a punir as suas opiniões políticas com a prisão.

Os três independentistas catalães ainda em prisão preventiva em Madrid apresentaram esta semana o seu caso diante o Grupo de Trabalho da ONU para as Detenções Arbitrárias, um órgão que não tem poder vinculativo sobre a sua detenção mas que pode pressionar o governo e as autoridades espanholas.

“Este caso não pede às Nações Unidas que avaliem o assunto da independência catalã, mas pede-lhes que reafirme o princípio de que os governos não podem reprimir a dissensão política com detenções arbitrárias”, afirmou esta quinta-feira o advogado que representa os três independentistas, Ben Emmerson, numa conferência de imprensa realizada em Londres.

“Este tipo de opressão política pertence a uma era desvanecida da História de Espanha”, afirmou ainda, referindo-se ao franquismo.

Há ainda três independentistas presos pela declaração unilateral de independência, convocatória do referendo do 1 de outubro e manifestações que supostamente obstruiram a justiça.

São os três elementos daquilo a que as autoridades espanholas chamam o “comité estratégico do processo soberanista” – que é dizer o núcleo do processo: Oriol Junqueras, o vice-presidente catalão de Carles Puigdemont, e os independentistas que lideram as organizações civis Assembleia Nacional Catalã e Òmnium Cultural, Jordi Sànchez e Jordi Cuixart. Encontram-se detidos preventiva e incondicionalmente e já viram ser-lhes rejeitados vários pedidos para sair em liberdade.

Esta quinta-feira, Junqueras falou também (através dos seus advogados) sobre a possibilidade de o próximo governo independentista catalão ter duas direções: uma efetiva, a cargo dos assuntos do dia a dia da governação, e outra simbólica, com Puigdemont à cabeça, no exílio, e ele, Junqueras, a vice.

Por enquanto, o processo de investidura está paralizado. O presidente da Mesa do Parlament, Roger Torrent, disse esta quinta que só convocará uma sessão parlamentar quando o processo puder ser “efetivo” e estarem “asseguradas todas as garantias”.