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Turismo continua a bater recordes

O objetivo é continuar a crescer ano após ano para atingir receitas turísticas de 26 mil milhões e 80 milhões de dormidas até 2027. Para já, os dados de 2017 consolidam esse caminho.

O turismo continua a bater recordes, com o setor a afirmar-se como um dos principais motores da economia portuguesa. E os dados falam por si: só no ano passado as receitas com a atividade turística dispararam 16,6%, crescimento que se traduziu em 3,39 mil milhões de euros. Ao todo, os estabelecimentos hoteleiros receberam 20,6 milhões de hóspedes em 2017, o equivalente a 57,5 milhões de dormidas.

A tendência de crescimento tem vindo a aumentar ao longo dos últimos anos. Em 15 anos, as dormidas cresceram 22 milhões – o único momento de inversão ocorreu em 2009 – e só em 2017 Portugal registou um aumento de quase quatro milhões de dormidas, com o país a beneficiar do estatuto de ‘moda’.

A ideia agora é continuar a manter este ritmo e Portugal já tem um plano definido até 2027: atingir receitas turísticas de 26 mil milhões e 80 milhões de dormidas.

O mercado externo foi o que mais contribuiu para as subidas no número de hóspedes e dormidas, ao representar 72,4% das dormidas totais no ano passado (71,5% em 2016) com 41,6 milhões de dormidas. Feitas as contas, em cada 10 dormidas sete são de turistas estrangeiros. Já o mercado interno contribuiu com 15,9 milhões de dormidas (mais 4,1%).
O mercado britânico continua a liderar o ranking. Os ingleses ainda representam 15,7% do total de dormidas de não residentes, mas estão a vir menos para Portugal. Em dezembro houve uma quebra pelo terceiro mês consecutivo (menos 9,8%). Em termos anuais, este mercado deteve uma quota de 22,3% e cresceu 1,1% face ao ano anterior.

 Já o mercado alemão (13,6% do total) aumentou 7,7% entre janeiro e dezembro. Também os espanhóis estão a vir mais ao país vizinho (+2,7%) e apresentam uma quota de 9,7%, embora o crescimento tenha sido mais ligeiro no ano passado (mais 0,3%). Já o mercado francês (7,9% do total) cresceu 1% em dezembro. No total do ano, este mercado apresentou uma quota de 9,5% e um ligeiro crescimento (mais 0,3%). 

No conjunto do ano, todas as regiões apresentaram aumentos nas dormidas, sobressaindo os Açores (mais 15,8%) e o Centro (mais 14,5%). Mas o Algarve continua a concentrar 33,1% das dormidas em 2017, seguindo-se a Área Metropolitana de Lisboa (24,9%). Aliás, a capital já é considerada uma espécie de joia da coroa do setor e o próprio presidente da Câmara afirma que o turismo de Lisboa corresponde «a quase três vezes a Autoeuropa».

Preço ainda é um problema
Apesar do sucesso do setor, o preço cobrado continua a ser considerado baixo face a outros países concorrentes. Ainda assim, a receita por quarto superou, pela primeira vez, os 50 euros no ano passado. Ou seja, praticamente o dobro quando comparado com os valores praticados em 2012. No entanto, os responsáveis do setor continuam a apontar para a necessidade de subir estes valores. Uma prioridade que também é defendida pelo próprio Governo.

O setor da restauração não fica alheio a esta tendência ao também atingir níveis recorde em termos de empregabilidade. Segundo os dados da AHRESP, o setor da restauração e bebidas e o alojamento turístico, no final do 3.º trimestre de 2017, registava 345,9 mil postos de trabalho, que representa uma variação homóloga positiva de mais 18,1% (traduzindo-se num acréscimo de 53 mil postos de trabalho), atingindo um novo máximo histórico de empregabilidade.

Mas nem tudo são boas notícias. Este crescimento também acarreta problemas. A associação admite que atualmente já se depara com «um estrangulamento do mercado de trabalho nacional e uma escassez de mão-de-obra qualificada, o que coloca graves problemas na qualidade da nossa oferta turística, e no desenvolvimento das nossas empresas, dos seus negócios e dos seus atuais e futuros investimento», alerta José Manuel Esteves, diretor-geral da AHRESP.