Internacional

Síria. Quinhentos mortos numa semana de grandes bombardeamentos

A guerra civil entra numa das suas fases mais violentas. O pior pode estar para muito breve. 

Sete dias de imensos bombardeamentos e ataques à distância da autoria do regime sírio contra os bairros de Ghuta Oriental mataram à volta de 500 civis, segundo avançava este sábado o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, uma organização gerida no Reino Unido, ligada à oposição e em contacto com dezenas de ativistas no terreno. Entre estes 500 mortos encontram-se 121 crianças, segundo anuncia o grupo.

A organização Forças de Defesa Civil, na qual se inserem os célebres Capacetes Brancos, diz que pode confirmar até agora a morte de 350 pessoas, mas admite que o número pode ser superior. “Há talvez muitos mais”, afirmava este sábado à Reuters um porta-voz do grupo, que no último ano se encontrava entre os favoritos para o Nobel da Paz. “Não pudemos contar os mártires de ontem ou do dia anterior porque os aviões de guerra continuam nos céus.”

As Nações Unidas tentaram sem sucesso na sexta-feira fazer aprovar um cessar-fogo na guerra, que nos últimos dois meses entrou num dos seus mais violentos períodos em sete anos de conflito. Aos intensos e indiscriminados bombardeamentos nos arredores de Damasco somam-se o impacto da invasão turca no norte do país e os confrontos militares no nordeste, que nos dois últimos meses mataram em conjunto mais de 200 pessoas.

Só este sábado, ainda de acordo com o Observatório Sírio, 29 pessoas morreram nos ataques aéreos do regime em Ghuta Oriental, os bairros da classe operária onde hoje vivem cerca de 400 mil pessoas, metade delas crianças, num regime de cerco quase total que complica muito o acesso a água limpa, material médico, comida e combustível. Somando à carnificina de domingo e terça, o Observatório garante que numa semana morreram 500 civis. 

O pior ainda pode estar por vir. Na quinta e sexta-feira, o governo russo travou as moções de cessar-fogo discutidas no Conselho de Segurança das Nações Unidas, afirmando que elas se devem aplicar também aos grupos Estado Islâmico e Frente al-Nusra, uma organização ligada à Al-Qaeda com muita influência nos territórios rebeldes sírios. Os outros membros do Conselho de Segurança, no entanto, dizem que Moscovo quer apenas ganhar tempo.

Esse é em princípio o tempo de que o regime sírio precisa para dar início a uma invasão terrestre contra os bairros de Ghuta Oriental, que se encontra a apenas 20 minutos de autocarro do centro de Damasco. Este enclave rebelde é muito incoveninente para o governo de Assad, que até ao momento evitou entrar em força nos bairros da oposição por temer uma guerra urbana sangrenta para o seu exército, desgastado e muito desfalcado ao fim de sete anos de conflito.

No entanto, os milhares de ataques aéreos, disparos de artilharia e rockets desde o passado domingo em Ghuta Oriental sugerem que o governo de Bashar al-Assad se prepara para uma operação militar ambiciosa. Os rebeldes vêm também denunciando um amontoar de meios do regime nos pontos de acessoa Ghuta Oriental, há anos encerrados pelo governo, que tentou nos arredores de Damasco a mesma estratégia de desgaste por cerco, medo e fome que lhe venceu Alepo.