Economia

Produção de componentes também cresce

Setor emprega diretamente mais de 82 mil e quer contratar mais cerca de oito mil até 2020 para responder ao reforço de produção. 

O setor de fabricação de componentes para a indústria automóvel alcançou em 2017 o número recorde de exportações diretas no valor de 7,7 mil milhões de euros, refletindo o aumento da produção automóvel que tem vindo a ganhar um novo fôlego nos últimos anos. Aliás, o valor das exportações do setor tem vindo a crescer sustentadamente ao longo de toda a década, registando 51% de aumento, quando comparados os valores de exportação de entre 2010 e 2017.

O valor das exportações do setor representou 14% do total das exportações portuguesas de bens transacionáveis e 90% do que é exportado em termos de componentes tem como destino os mercados europeus. Espanha lidera o ranking, seguida da Alemanha, França, Reino Unido e Itália. Já os restantes 10% dos componentes exportados foram dirigidos a países como África do Sul, Brasil, China, EUA, Marrocos, México. Tunísia e Turquia.

Atualmente existem 220 empresas em Portugal que dedicam parte ou a totalidade da sua produção ao fornecimento da indústria automóvel, empregando diretamente mais de 47 mil pessoas, ou seja, mais de 7% do total do emprego da indústria transformadora. Só nos últimos cinco anos foram criados mais de 8200 postos de trabalho.

Meta é crescer

Face aos dados que apontam para um novo aumento da produção dos fabricantes automóveis em Portugal, a Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA) defende que a ideia é continua a crescer, o que inevitavelmente vai passar por aumentar os postos de trabalho.

De acordo com as contas da AFIA, até 2020 vai ser necessário contratar quase oito mil trabalhadores. E há já várias empresas a dar passos nesse sentido. O caso mais recente é o da Simoldes, que anunciou um investimento de 20 milhões de euros num centro de testes para o grupo em Oliveira de Azeméis e a contratação de 400 colaboradores este ano em Portugal.

Essa necessidade de recursos humanos resulta do plano de investimentos que o grupo tem vindo a concretizar nos últimos cinco anos e que, segundo António Rodrigues, fundador da marca, já se traduziu num montante global de investimento de cerca de 140 milhões de euros, que será reforçado a nível mundial com mais 115 milhões em «inovação e globalização», nomeadamente com a abertura de novas unidades em Marrocos, Polónia, México, Espanha e Estados Unidos.

Para melhor responder a esse crescimento, a Simoldes inaugurou o centro de abate e fresagem, um investimento de 36 milhões de euros, que vai concentrar num mesmo espaço todo o corte de aparas e limalhas, que até agora estava disperso por várias unidades do grupo.

Mas este não é um caso isolado. Também a Bosch, fabricante líder mundial de tecnologia automóvel, assim como a Yazaki Saltano, têm reforçado os seus investimentos para responder a este aumento da procura dos fabricantes automóveis.

O Ministro da Economia ainda esta semana elogiou este setor da indústria de componentes ao considerar que soube apostar «na inovação, na formação dos seus trabalhadores e na criação de um padrão de alta qualidade». Caldeira Cabral revelou ainda que «esta indústria criou em Portugal um cluster que é resiliente, que volta hoje a atrair investimento estrangeiro e que está a criar empresas líderes mundiais em algumas das suas componentes mais tecnológicas».