Economia

BTL. Abre hoje portas a tão aguardada feira de viagens

A 30.ª edição abre ao público na sexta-feira. Até lá, destina-se apenas aos profissionais do turismo. Além de ser possível encontrar viagens mais baratas, que podem chegar a metade do preço, também tem disponível mais de 10 mil vagas para o setor. Região Centro e Marrocos são os convidados deste ano

Arranca hoje a Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL) e, tal como aconteceu em edições anteriores, nos primeiros dias destina-se apenas a profissionais, abrindo portas ao público na sexta-feira ao final da tarde. Trata-se da maior feira de turismo do país e vai contar com mais de mil expositores e com a participação de 39 destinos internacionais, sendo esperados cerca de 77 mil visitantes. Este é um dos eventos mais aguardados pelos portugueses, já que operadoras e agências de viagens aproveitam a ocasião para lançar viagens e pacotes de férias a preços de saldo.

“A BTL é um evento cheio de desafios e propostas. Para os profissionais ligados ao setor do turismo é uma oportunidade para encontrar compradores profissionais, para conhecer a concorrência, para analisar a tendência dos mercados e posicionar a sua oferta de uma forma inovadora e competitiva. Já para o público, constitui a oportunidade de conhecer novos destinos e soluções, de comparar propostas e comprar a preços altamente competitivos. Tudo isto num ambiente espetacular de festa, cor e alegria, onde a música e a gastronomia marcam presença assídua”, refere a promotora.

Por isso, é natural que encontre as mais variadas agências de viagens a oferecerem descontos especiais, prometendo “férias ao melhor preço”. É o caso de cadeias hoteleiras como o Grupo Vila Galé, que vai oferecer descontos que podem chegar aos 50%. Também o grupo NAU Hotels & Resorts vai aproveitar a BTL para promover estadias com descontos. A campanha varia entre 15% e 20% de desconto, consoante a unidade escolhida.

O destino nacional convidado deste ano é a região Centro, para recuperar do “período difícil” dos incêndios do ano passado. Para “curar as feridas”, diz Pedro Machado, presidente do Turismo do Centro, a aposta será feita num turismo ligado ao património e à cultura, bem como no turismo religioso.

Já o destino internacional convidado é Marrocos, depois de o país ter registado um crescimento por parte dos turistas portugueses que, em 2017, atingiram os 87 mil visitantes (um aumento de 26%).

Ao mesmo tempo, vão estar disponíveis cerca de 10 mil vagas de emprego no setor do turismo para preencher na Bolsa de Turismo de Lisboa, pois mais de meia centena de empresas, sobretudo hotéis, vão marcar presença nesta bolsa de empregabilidade. Os candidatos vão poder conhecer as oportunidades nos dias 2 e 3 de março. Esta edição contará com áreas para entrevistas e momentos de formação.

O presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), Raul Martins, já veio elogiar o caminho que a BTL fez até aqui, ao longo dos últimos anos. Ou seja, com um turismo pouco diversificado e muito dependente do sol e praia, este evento era, até há pouco tempo, o espelho do país. “Era muito institucional, era muito as regiões, a propaganda do destino, e a grande diferença é que hoje temos muito mais presença de grupos privados que estão a investir, mesmo os mais pequenos, e que procuram este tipo de montras para captar os seus clientes”, revela.

No entanto, no entender do responsável, a aposta privada tem sido reforçada e a feira já se tornou um ponto de paragem obrigatório. “É onde se pode sair do normal e do que já se conhece”, diz Raul Martins.

Qualificar é a palavra de ordem Numa altura em que o setor continua a atingir recordes atrás de recordes (ver texto ao lado), o governo diz que as empresas de turismo vão poder contar com mais 75 milhões de euros para a qualificação da sua oferta. O valor foi definido na renovação da Linha de Apoio à Qualificação da Oferta 2027.

Esta linha acordada entre o Turismo de Portugal, 12 bancos e a Portugal Ventures define um financiamento global que pode ascender a 75% do valor do investimento. Fica estabelecido um prazo máximo de reembolso de 15 anos, com quatro anos de carência. O Turismo de Portugal assume 60% do financiamento, e as instituições bancárias a restante fatia.

No entanto, com a adesão da Portugal Ventures ficam definidos outros 15 milhões de euros para capital de risco. Assim, o montante global definido para financiar a qualificação da oferta turística é de 90 milhões de euros. “Estas linhas eram para durar dois anos. Esgotaram-se em um. É uma boa notícia”, explicou o ministro da Economia. Manuel Caldeira Cabral.

No ano passado foram aprovadas 83 operações, financiando 65 milhões dos 133 milhões de euros investidos. Em análise estão ainda 28 projetos, com um volume de investimento avaliado em 32 milhões de euros.

“Havia necessidade de um instrumento como este para estimular a atividade económica”, revelou o presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo.

O preço da entrada na BTL varia entre 2,5 euros (estudantes ou seniores) e 5 euros.