LifeStyle

Almada. Destinos para vencer a barreira psicológica

Dormitório de Lisboa procurado pelas praias e pelo sol de verão, 
Almada ganhou renovado interesse turístico com os charters e cruzeiros a chegar minuto a minuto e, em paralelo, a curiosidade do resto do país com a renovação da zona de Cacilhas, os projetos para o Ginjal e Lisnave,a mudança de cor política e a explosão de preços na habitação. Pela ponte ou de barco, há motivos para rumar a sul sem perder de vista o Tejo 

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Casa da cerca

No topo da falésia, a vista ampla e desafogada perante o Tejo deve ser o sítio mais instagramável da cidade, mas Almada não precisa de viver sempre na dependência de Lisboa e, além das vistas, a Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea acolhe uma programação ininterrupta, exposições regulares de artistas bem-afamados e um extenso jardim botânico com plantas raras. No verão, o ciclo “Há Música na Casa da Cerca” propõe concertos ao anoitecer e, em junho, a festa de aniversário costuma trazer a cidade em peso para o prado verde. O povo e a alta cultura não têm de ser inimigos. Aos fins de semana, o café é um pretexto para espreitar a janela sobre o rio e respirar em paz. 

Castelo

Sim, Almada tem um castelo, embora menos afamado que o Castelo de São Jorge ou o Castelo dos Mouros, em Sintra. Símbolo da resistência local, remonta à época da ocupação muçulmana, quando se chamou al-Madan, e passou por sucessivos reforços da estrutura ao longo dos séculos. Hoje conserva parte das suas antigas muralhas e alberga um posto da Guarda Nacional Republicana, além de um restaurante para carteiras nutridas com vista privilegiada sobre o rio e um coreto mínimo. Quando Almada Velha era um mini-Bairro Alto, costumava ser destino obrigatório para a prática de diversos ilícitos. Hoje é mais pacato e ideal para fotógrafos. 

Cristo Rei

Quem atravessa o rio pela ponte é recebido de braços abertos pelo Cristo Rei. Visto dos aviões, o símbolo religioso de uma cidade de tradição católica moderada é o Corcovado português. No santuário é possível visitar o miradouro ou apanhar o elevador para ver o mundo com os olhos de Deus – não aconselhável a quem sofre de vertigens. O que talvez seja menos conhecido é aquilo que se passa nas axilas do Senhor. Seguindo uma estrada íngreme de alcatrão e pedras, no fim do precipício fica a abandonada Quinta da Arealva, onde por vezes se fazem festas de música eletrónica subterrânea para cerca de mil pessoas. Shhhhhhhhh... 

Ginjal Terrasse

Lisboa nunca teve uma oferta tão grande e variada de noite. Fora da capital, é o marasmo. Nas margens Norte ou Sul são raríssimos os espaços que combinem oferta cultural credível e entretenimento e que se assumam como uma alternativa real a quem quer fugir às voltas para estacionar, operações stop e uma rede medíocre de transportes públicos. O Ginjal Terrasse é um oásis para a comunidade local capaz de chamar, em noites específicas, público de outras localidades – Lisboa incluída. Clube com capacidade para cerca de 200 pessoas, recebe festas regulares e pontuais concertos, atualmente com forte predominância eletrónica e não só. 

Cacilhas

Ou, em gíria local, a [Rua] Cândido dos Reis, onde há não muitos anos havia prédios, carros e restaurantes. O fecho da rua ao trânsito incentivou o comércio local e é hoje o polo de maior atração na cidade. A dois minutos dos barcos, colada ao terminal de Cacilhas, é aqui que a ação acontece e se reúnem as tropas. Durante o dia são os turistas quem dá trabalho aos comerciantes, sobretudo à restauração. Quando cai a noite, Cacilhas passa a ser dos locais. Há quem procure a rua para jantar, petiscar ou simplesmente beber uma cerveja. Há quem se deixe encantar pelos gelados ou pelas cervejas artesanais. Há quem combine ver os jogos e há quem leia um livro. Dá para [quase] tudo. 

Museu da cidade

Aberto ao público desde 2003, o Museu da Cidade é um equipamento cultural que tem como missão preservar a história e a memória de Almada. Situado na Cova da Piedade, à entrada da cidade para quem vem de carro, recebe exposições regulares mas ainda procura um lugar nos hábitos culturais da população local. Ainda no primeiro trimestre deverá estrear-se uma exposição com forte impacto junto da comunidade. O jardim exterior é um ótimo anfitrião e, se a fome apertar e a carteira estiver de boa saúde, o Sushic – vulgo melhor sushi do universo e arredores – passou a ser vizinho do Museu da Cidade desde o ano passado. 

Parque da paz

Pela função utilitária. O Parque da Paz é o sítio ideal para ganhar forma. Correr, treinar para a mini e a meia maratona, desafiar os limites, superar o melhor tempo ou simplesmente recuperar a forma e eliminar o excesso. Tudo isto é válido, mas o Parque da Paz pode ser muito mais do que uma corrida ao final do dia ou um circuito de manutenção. Junto ao Centro Sul, o local de maior concentração de dióxido de carbono da cidade, há um pulmão verde de 60 hectares onde, estacionado o carro, o ar volta a ser respirável. Há um lago de cisnes e patos-reais. E zonas diversas à disposição de piqueniques, merendas ou simplesmente do escapismo. 

Teatro Joaquim Benite

Sabia que o Festival de Teatro de Almada é o maior e mais importante do país? O Teatro Joaquim Benite – o nome foi atribuído pela Câmara Municipal de Almada após a morte do encenador, em 2012 –, casa da Companhia de Teatro de Almada, é o posto de comando da programação e tem na Escola António da Costa a vizinha com jardim. Toda a programação ao ar livre acontece na escola do ensino básico, sendo reservados para Lisboa alguns espetáculos de maior porte. O festival é o centro da programação anual mas, de janeiro a dezembro, o teatro recebe todos os fins de semana peças da companhia residente e outros espetáculos. A programação inclui concertos pontuais.