Opiniao

Os ilustres que temos

Gostaria de ver nos ilustres da política a nobreza da atleta Inês Henriques

Com ilustres compatriotas a ocuparem altos cargos na política mundial, Portugal voltou a ser importante. A nobre gesta lusitana recuperou o lugar que lhe fugia desde a morte de Camões.

Comecemos pelo mais fácil: Mário Centeno. Terá muitas qualidades, mas poucos sabem para que serve o Eurogrupo. Muita parra e pouca uva… No curriculum, ficará uma linha para compensar a menção que a antecede: «Vítima de acusação cretina, por causa de dois bilhetes para a bola».

Segue-se outro ilustre, mas aqui a coisa fia mais fino. É o português que presidiu à UE, apesar de um histórico que não o recomendava: ativista do MRPP, secretário de Estado, ministro, presidente do PSD, primeiro-ministro, mordomo das Lajes, trânsfuga… Só uma inusitada indulgência de quem aprecia o cinzentismo permitiu que tivesse ocupado cargos tão relevantes. Os galões de ‘ilustre’ valeram-lhe um lugar de lobista da Goldman Sachs. Coisas…
 
O supremo milagre dá pelo nome de António Guterres. Com infinita bondade, o Presidente da República apresentou-o como «o português mais ilustre da sua geração»; mas quando a esmola é grande… Dizem as más línguas que o exagero foi pensado para provocar a reação adversa, porque, no íntimo, o nosso PR nunca admitirá que exista sobre a Terra alguém com mais brilho que ele próprio – e, pelo menos neste mano-a-mano, Marcelo ganha destacadíssimo. 

A coleção de trapalhadas em que o nosso ‘Tonecas’ já esteve envolvido, com expoente máximo no negócio do queijo Limiano, seria motivo para a inibição de ocupação de lugares públicos, mas, com a irresponsabilidade de sempre, a ONU deu-lhe guarida e fê-lo embaixador para os pobres e desvalidos. Muitas viagens pelo mundo valeram-lhe o posto de Secretário-Geral, que deveria estar reservado a pessoas firmes e com capacidade de decisão. 

A realidade está à vista: a Síria continua a ferro e fogo e Guterres continua a dizer… que espera uma trégua! Nada que espante quem se lembra do chefe de Governo que fugiu a queixar-se de um ‘pântano’ que o atormentava, quando o normal seria que ficasse para enfrentar a crise.  

Agora, o homem foi distinguido com o doutoramento honoris causa pela Universidade de Lisboa. Nada contra! Porém, falando aos gentios, o novo Doutor saiu-se com esta: «O que me move não é um Mercedes preto, se fosse, compraria um táxi velho, pintava-o de preto… e tinha um Mercedes». Pensamento profundo, digno de um Doutor! Vale-lhe a complacência dos críticos, que nada perdoavam a Cavaco.

Passado em revista o rol dos ilustres vivos, sobram Ronaldo e Ricardinho. Mas temos um bom exemplo no feminino: Inês Henriques. Sabem quem é? É a recordista mundial dos 50 Km marcha, que se traduzem em muitas horas de treino sofrido. 

Por si, o feito já seria excecional. Mas mais notável foi a resposta que deu quando lhe perguntaram se tinha custado muito: «Custa muito, mas nada que se compare aos sacrifícios que a minha mãe fez em cada um dos seus dias de vida». Bem gostaria de ver nobreza semelhante nos ilustres da política.