Economia

Lucro dos CTT cai mais de 56% para 27,3 milhões

Francisco Lacerda diz que queda no correio vai continuar.

O lucro dos CTT caiu 56,1% para 27,3 milhões de euros no ano passado. Este resultado deve-se, em parte à deterioração do negócio postal que levou a empresa a uma profunda reestruturação nos próximos três anos, estando por isso, prevista a saída de 800 trabalhadores. Para este ano, os Correios antecipam uma “queda do volume do correio entre 5% e 6%”, garantiu o CEO, Francisco de Lacerda, durante a apresentação de resultados, depois de terem caído 5,6% em 2017, acima do que era esperado. 

No entanto, o responsável garantiu que, “se a queda for pior”, isso terá “obviamente implicações ao nível” do desempenho dos CTT.

As receitas aumentaram em 0,9% para 676 milhões de euros. No total, os rendimentos operacionais dos CTT aumentaram 2,5%, uma evolução justificada “pela mais-valia e os juros associados à venda dos imóveis da Rua de S. José em Lisboa”, por 16,3 milhões de euros.

A empresa revelou ainda que se verificou um “crescimento dos segmentos de Expresso e Encomendas e Banco CTT” o “que compensou o decréscimo das áreas de Correio e de Serviços Financeiros.”

Os Correios confirmaram também que vão pagar aos acionistas um dividendo de 38 cêntimos por ação, o que representa um corte face ao valor pago no ano passado. Mas Francisco Lacerda já veio garantir que “ao longo do período de implementação do Plano de Transformação Operacional (2018-2020), a empresa irá regressar à sua política de remuneração acionista anterior, baseada numa percentagem do resultado líquido gerado anualmente”.

No total os CTT vão pagar 57 milhões de euros aos acionistas, o que representa um “payout” de 208%. Isto significa que, a empresa vai entregar aos acionistas mais do dobro dos lucros obtidos em 2017

Plano de reestruturação em marcha

As estimativas dos Correios para este ano apontam para um gasto não recorrente relacionado com o plano de reestruturação na ordem dos 20 milhões de euros.

Francisco Lacerda explicou ainda que o fecho dos balcões e passagem a postos está relacionado com uma redução “dos custos fixos”. O CEO garante que só tem planos para fechar as 22 indicadas inicialmente mas que, a todo o momento, a empresa avalia ajustes à rede de balcões.

A empresa já rescindiu com mais de 200 trabalhadores, sendo que 161 pessoas saíram no quarto trimestre. Por isso, Francisco de Lacerda avança que “há uma aceitação das pessoas em relação às propostas que são feitas”, totalizando “quase 12 milhões de euros em indemnizações” aos trabalhadores que saíram.

Banco

O Banco CTT fechou o ano com “285 mil clientes e 226 mil contas de depósitos à ordem”, tendo depósitos superiores a 619 milhões de euros. O crédito a clientes atingiu 79 milhões de euros, um valor concedido sobretudo no crédito à habitação.

O capital social foi esta semana reforçado com a transmissão das ações da Payshop no montante de 6,4 milhões de euros, passando de 125 para 131,4 milhões de euros.